A terceira edição do projeto “Sabores & Lembranças África”, lançada pelo Instituto Adus, reúne histórias de vida, memórias afetivas e receitas tradicionais de dez refugiados e refugiadas de países africanos que hoje vivem no Brasil. A obra, realizada com recursos da Lei de Incentivo à Cultura e patrocínio da John Deere, transforma a gastronomia em uma ferramenta de acolhimento, troca cultural e reafirmação identitária.
Com a premissa de que “a cozinha é uma poderosa ferramenta de aproximação entre pessoas e culturas”, o livro apresenta relatos profundamente pessoais sobre a jornada do refúgio, sempre entrelaçados com o ato de cozinhar. “Ao colocar a comida no centro do projeto, criamos espaços de troca, reconhecimento e pertencimento entre a população refugiada e a sociedade brasileira”, explica Luiz Henrique Amoêdo, gestor de comunicação do Instituto Adus.
Dez vozes, múltiplas África(s)
A edição traz as histórias e receitas de:
- Nandi Mondoukpê Biao (Togo)

- Marseu Sebastião de Carvalho (Angola)

- Irene Yannick (Camarões)

- Samisson Paulo Bene (Moçambique)

- Konan Gautier Koaudio (Costa do Marfim)

- Helena Lukeki (República Democrática do Congo)

- Amadou Touray (Gâmbia)

- Nwakaego Ikakke Godfavour (Nigéria)

- Nduduzo Godensia Siba (África do Sul)

- Fatima Ally Kisega (Tanzânia)

Conexões históricas e culturais entre Brasil e África
Os depoimentos vão além da culinária, destacando os profundos laços culturais que unem o Brasil ao continente africano. Marseu Sebastião de Carvalho, de Angola, observa: “O Brasil é o espelho da África. Aqui eu vejo o semba virando samba, o jongo virando capoeira, e o kimbundu atravessando o português”.
A nigeriana Nwakaego Ikakke Godfavour complementa, falando sobre o poder agregador da comida: “Na Nigéria e no Brasil, a comida une as pessoas e ambos os povos dançam, cantam e se reúnem para celebrar. É por isso que me sinto em casa aqui também”.


O livro revela como os saberes culinários carregam códigos sociais, noções de fartura, coletividade e espiritualidade. Preparar e compartilhar uma refeição torna-se um ato de preservação da memória, um ritual afetivo e uma forma de manter viva a conexão com as raízes, mesmo a milhares de quilômetros de distância.
Lançamento com programação cultural
O lançamento da obra, no Sesc Ipiranga, foi marcado por uma roda de conversa com os cozinheiros e cozinheiras participantes, oferecendo ao público a oportunidade de ouvir suas trajetórias diretamente. A programação foi encerrada com uma apresentação do Grupo Maobé, que apresentou danças e percussões tradicionais de países como Togo, Gana e Benin, criando uma imersão completa nas culturas retratadas no livro.
