Um estudo da USP identificou que estudantes pretos recebem, em média, notas 10,9% menores do que colegas brancos de desempenho equivalente quando avaliados por professores brancos. A pesquisa analisou dados do ensino médio da rede estadual de Minas Gerais, considerando variáveis como gênero, situação socioeconômica e histórico escolar.
A disparidade ocorre apenas em turmas ministradas por docentes brancos — e é mais acentuada em escolas onde todos os professores de matemática são brancos. De acordo com a economista Júlia Batista, autora do estudo, a presença de um corpo docente diverso atenua o viés. O mesmo ocorre quando o professor já conhece o aluno de anos anteriores.
A pesquisa comparou as notas atribuídas em sala de aula com os resultados dos mesmos estudantes no Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica (Proeb), que funciona como uma avaliação “cega”, corrigida por máquina. O foco em matemática deve-se ao caráter mais objetivo da disciplina, o que reduz a subjetividade na correção.
Batista ressalta que a avaliação do professor influencia não apenas o boletim, mas também a autoconfiança e as escolhas futuras do aluno: “Se ele acredita que não é bom em matemática, pode evitar carreiras que dependam da disciplina”.
Minas Gerais foi escolhida para o estudo por sua diversidade racial: pretos representam 6,8% dos matriculados no ensino médio, quase o dobro da média nacional (3,7%). Os dados utilizados são sigilosos e foram acessados em ambiente controlado, com autorização do Inep.
