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Ana Maria Gonçalves toma posse na ABL como primeira mulher negra eleita imortal

Escritora baiana ocupa a cadeira 33 em cerimônia histórica que celebrou ancestralidade e diversidade na Academia Brasileira de Letras

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Com um emocionante “Benção, mãe. Benção, pai” e palmas que ecoaram no salão nobre, a escritora Ana Maria Gonçalves tomou posse na cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL) na noite desta sexta-feira (7), tornando-se a primeira mulher negra a ingressar na instituição em seus 128 anos de história.

Em discurso contundente e poético, a autora do aclamado romance “Um Defeito de Cor” celebrou suas raízes e dedicou o momento à ancestralidade negra: “Agradeço, por fim, à minha ancestralidade, fonte inesgotável de conforto, fé, paciência e sabedoria”.

Trajetória e reconhecimento
Ana Maria Gonçalves toma posse na ABL como primeira mulher negra eleita imortal

Ana Maria tornou-se a 13ª mulher a ocupar uma cadeira na ABL, fundada em 1897. Em sua fala, resgatou a história de exclusão feminina na instituição: “A não admissão de mulheres foi inicialmente um acordo entre cavalheiros, já que não havia nada impeditivo no estatuto”. Lembrou as pioneiras, de Rachel de Queiroz a Fernanda Montenegro, e as que tiveram candidaturas negadas, como Amélia Beviláqua, em 1930.

Sobre a representatividade negra, foi enfática: “Durante muito tempo, o acadêmico Domício Proença foi o único negro na Academia. E durante muito mais tempo ainda, a negritude de Machado lhe foi negada”. Reconheceu ainda o papel fundamental da candidatura de Conceição Evaristo em 2018 para abrir caminho para sua própria eleição.


Ao assumir o cargo, a nova imortal estabeleceu um compromisso claro com a transformação da Casa: “Assumo como missão promover a diversidade nesta Casa, abrir suas portas ao público — verdadeiro dono da língua — e ampliar o empenho na divulgação e promoção da literatura brasileira”.

Citando pensadoras como Neusa Santos e Chimamanda Adichie, reforçou o poder da literatura na reconstrução de identidades: “Vim trabalhar para que não sejamos empobrecidos pela contação de uma história única”.


A apresentação foi feita pela historiadora Lilia Schwarcz, que destacou: “As mães que hoje choram seus filhos nas favelas do Rio são ecos das mulheres que, no tempo da escravidão, também perderam os seus. Ana Maria traz essas vozes para dentro da literatura e, agora, para dentro da Academia”.

A mesa diretora contou com nomes como Gilberto Gil, que entregou o diploma, e Ana Maria Machado, responsável pelo colar acadêmico. Entre os convidados, Regina Casé e Lázaro Ramos — que definiu “Um Defeito de Cor” como “o livro de sua vida”.

Ana Maria Gonçalves toma posse na ABL como primeira mulher negra eleita imortal

Cardápio literário
Após a cerimônia, 300 convidados participaram de um jantar no pátio externo da ABL com cardápio inspirado no romance da nova imortal, criado pela chef Dilma do Nascimento (Dita). “Baseei o cardápio na trajetória do livro, com pratos africanos e encerrando com as cocadas vendidas pelas personagens em busca da liberdade”, explicou a chef.

A posse de Ana Maria Gonçalves marca não apenas um marco na história da ABL, mas sinaliza uma transformação em curso na instituição, que parece cada vez mais determinada a refletir a pluralidade da sociedade e da literatura brasileira.

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Última atualização em: 10 de novembro de 2025 às 17:49

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