O historiador e jornalista Adriano Viaro, conhecido como Prof. Viaro, lança o livro “Complexo de Princesa Isabel e outros ensaios antirracistas”, publicado pela Emó Editora, que se destaca por seu compromisso com a diversidade e a democratização da literatura.
O lançamentopropõe uma leitura que atravessa história, comportamento e sociedade: como o racismo — em suas formas explícitas e sutis — continua moldando relações e identidades no Brasil contemporâneo.
“Vivemos em uma sociedade racista, mas que raramente se reconhece como tal. Este livro nasce da necessidade de examinar o racismo em todas as suas dimensões — inclusive as mais cotidianas, que naturalizamos sem perceber. É um convite à reflexão para todos, do leigo ao letrado racialmente”, afirma Viaro.

A obra analisa o racismo sob diferentes perspectivas — histórica, simbólica e afetiva — com linguagem acessível e abordagem não acadêmica. O título faz referência ao mito da Princesa Isabel “redentora”, uma construção histórica que, segundo o autor, ajudou a perpetuar a ideia de que a abolição foi um gesto de benevolência branca, apagando a luta de resistência do povo negro.
“Ao atribuir a uma figura branca e aristocrática a abolição da escravidão, o país se eximiu da responsabilidade coletiva de enfrentar o racismo estrutural”, escreve o comentarista e ex-árbitro Márcio Chagas da Silva, que assina o texto de apresentação. “Esse mito da ‘boa princesa’ reforçou a ideia de benevolência branca e silenciou os verdadeiros sujeitos da luta. Contra esse apagamento simbólico e histórico, este livro se ergue.”
Em seus ensaios, Viaro articula pesquisa, observação e experiência pessoal, propondo um olhar atento às contradições e responsabilidades de uma sociedade que ainda reproduz o racismo em múltiplos níveis — inclusive entre aqueles que se consideram antirracistas.
“O antirracismo exige mais do que discurso: pede escuta, revisão de atitudes e coragem para encarar privilégios, omissões e preconceitos. Falar de racismo é falar de nós — de como construímos e sustentamos um país desigual”, ressalta o autor.
