Em sua formação na década de 1970, a antropóloga e primatóloga Sarah Blaffer Hrdy se dedicou à pesquisa sobre a biologia evolucionária e constatou uma série de estereótipos sobre o comportamento feminino nesse campo de estudo.
No livro recém publicado pela Edusp, “A Mulher que Nunca Evoluiu”, Hrdy se baseia na biologia evolutiva e em seu trabalho com primatas para contestar noções antigas sobre a natureza das fêmeas e abordar o conceito da passividade feminina. Ela argumenta que nos estudos evolutivos se observa comportamentos entre fêmeas que competem e elaboram estratégias tão sofisticadas quanto às dos machos.
O estudo contribui para corrigir pressupostos equivocados sobre os papéis de gênero presentes nas ciências evolucionistas e evidenciar o caráter por vezes enviesado da ciência, sem deixar de reconhecer os avanços do darwinismo para o campo da biologia.
Pela primeira vez em português, “A Mulher que Nunca Evoluiu” tem tradução do Coletivo Maria Emília de Mulheres rEvolucionistas. O coletivo ressalta que a relação entre o movimento feminista e estudos evolucionistas não é um tema recente. “Desde Darwin, as feministas evolucionistas demonstram preocupação com o que era uma visão reducionista e claramente equivocada sobre o comportamento feminino.”
A obra nos lembra que a ciência não acontece em um vácuo, onde o conhecimento é produzido de forma dissociada da cultura vigente, sendo importante um olhar atento ao que é o conhecimento legitimamente científico e o que são vieses culturais em uma publicação acadêmica.

A Mulher que Nunca Evoluiu
Autora: Sarah Blaffer Hrdy
Tradução: Coletivo Maria Emília de Mulheres rEvolucionistas
412 páginas
Preço de capa: R$ 60,00
Brochura, 14,5 x 23 cm
