A Editora Tamba-Tajá acaba de lançar Helianto Negro, obra inaugural do poeta e rapper Didimetamorfose. O livro materializa décadas de voz poética cantadas pelas ruas do Rio Grande do Sul, transformando rimas de batalha em versos que desafiam a página escrita.
Nascido na comunidade Areal em Pelotas, Didimetamorfose começou a escrever suas histórias aos 13 anos pela Praça da Liberdade. Seu primeiro som gravado aos 15 anos anunciava o que hoje se consolida em Helianto Negro: uma poesia que transita entre a urgência do Rap e a permanência da literatura. O livro é fruto de uma travessia artística, impulsionada por duas residências artísticas criativas, em que o artista descobriu na palavra escrita uma extensão natural de seu flow. Descobrir que a poesia escrita era também sua expressão natural abriu novos horizontes. Um poder que se manifesta no impacto imediato da música e na permanência reflexiva da escrita, reflete o autor.
O título não é acaso. Helianto Negro apropria-se do nome científico do girassol (Helianthus) para erguer uma metáfora de autonomia e resistência negra. Nas palavras do poeta: Não busco refletir o sol alheio. Crio minha própria luz. Sou o girassol negro orientado por um sol interno, espalhando autenticidade na arte. A obra funde autobiografia e ancestralidade, com poemas que mantêm a cadência contundente do Rap, mas dialogam com saraus, performances e a arte marginal que pulsa nas periferias gaúchas.
