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ANO NOVO, BBB NOVO, RACISMO VELHO

ANO NOVO, BBB NOVO, RACISMO VELHO

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Já é tradição. A cada início de um novo ano se espera pela exibição da convivência na “casa mais vigiada do Brasil”. Participantes, famosos ou não, brancos e negros, todos colocando suas histórias, atitudes e posturas sob julgamento do público.

Há quem diga que o Big Brother Brasil é um pequeno recorte da nossa sociedade – e deve ser mesmo. Mas esse texto não tem a pretensão de realizar uma análise sociológica, antropológica e menos ainda psicológica.

Como gente negra, sabemos bem o que virá disso. Assistiremos ao racismo ser reproduzido livremente em um programa transmitido em horário nobre na maior emissora de TV do país.

Em tempos de redes sociais não basta não assistir ao programa numa tentativa de blindagem pessoal, pois seus conteúdos circulam e se reproduzem de tal forma que não é preciso acompanhar os longos três meses pela televisão. Os atravessamentos acontecem e – talvez apenas morar em uma caverna durante a exibição do programa fosse capaz de nos proteger.

A edição atual mal começou e já tivemos de lidar com um homem branco que ao encontrar uma participante negra lhe perguntou: “você também é participante?”. Ora, a mulher portava acessórios identificadores e estava num local ocupado apenas por confinados, de modo que esse questionamento não fazia o menor sentido. Ou fazia? Afinal, o BBB não é, justamente, uma oportunidade de vermos a sociedade brasileira como ela é?

Voltemos a antes do início do programa: “Negros ficam de fora das escolhas da casa de vidro do BBB 26”, noticiou a imprensa. Ao mesmo tempo, parte do público votante que optou por impedir que homens negros acessassem o programa também escolheu uma mulher branca que, segundo notícias, teria tentado se utilizar indevidamente do sistema de cotas raciais para ingresso no serviço público.

Mal iniciado o programa, já tivemos uma participante, mulher negra, afirmando que teria presenciado uma adolescente ser aconselhada a ter filhos para aproveitar benefícios em vez de estudar. A fala foi proferida por uma mulher negra que também afirmou não ter partido nem lado político, ignorando que, neste país, o simples fato de ocupar um corpo negro já é, por si só, um ato político. Em clara associação ao Bolsa Família – benefício assistencial capaz de mudar realidades ou, ao menos, garantir minimamente alimentação a quem precisa – a declaração ganhou projeção em horário nobre. E lá vai o Governo Federal ter de se manifestar sobre mais uma fake news lançada como se nada fosse.

O ano é novo, a edição do BBB é nova, mas a máquina de moer gente preta – como bem disse André Gabeh ao denunciar o racismo do público votante do programa – é a mesma… e já se vão 26 edições.

Nesta temporada estão em jogo um prêmio de mais de cinco milhões, além da visibilidade que só a Globo pode garantir. E quem poderá julgar quem se sujeita a participar?

O ano é novo, a edição é nova, mas o racismo – e o cansaço em lidar com ele – já são velhos conhecidos.

Que Orixá nos proteja. A nossos corpos, nossa história e nossa dignidade.

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Última atualização em: 14 de fevereiro de 2026 às 23:57

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