A intelectual e ativista Angela Davis, uma das vozes mais importantes do movimento negro contemporâneo, será produtora executiva de um projeto audiovisual sobre a vida e legado de Assata Shakur, revolucionária do Black Liberation Army (BLA) que viveu exilada em Cuba por décadas. A produção incluirá um documentário e uma série, ambos desenvolvidos pelos cineastas Giselle e Stephen Bailey.
O projeto conta com autorização de Kakuya Shakur, filha de Assata, e colaboração do advogado Lennox Hinds, que defendeu a ativista nos tribunais norte-americanos e cedeu materiais exclusivos. Entre os apoiadores institucionais estão o Sundance Institute, a Firelight Media e a Chicken & Egg Films, que concedeu uma bolsa do Fundo de Equidade Criativa da Netflix.
Trajetória de resistência
Assata Shakur, que faleceu em Cuba em setembro de 2025 aos 78 anos, foi militante do Black Liberation Army – organização marxista-leninista e nacionalista negra que atuou nos EUA entre 1970 e 1981. Em 1977, foi condenada em um julgamento amplamente criticado por irregularidades e racismo institucional.
Dois anos depois, em 1979, conseguiu escapar da prisão e recebeu asilo político em Cuba, onde viveu até o falecimento. Sua autobiografia, “Assata: An Autobiography”, tornou-se referência para movimentos antirracistas em todo o mundo.
O projeto se destaca por ser realizado inteiramente por profissionais negros, assegurando a sensibilidade necessária para abordar a trajetória da ativista. Como destacaram os produtores, “preservar a memória também é manter vivo o legado daquelas pessoas que tanto lutaram pela liberdade do povo negro”.
