Eleito Melhor Filme pelo júri popular do Festival de Vitória, “O Deserto de Akin”, dirigido por Bernard Lessa, acompanha a busca por pertencimento de um médico cubano, interpretado por Reynier Morales (Melhor Ator no Festival do Rio). O protagonista trabalha a serviço de uma comunidade indígena do Espírito Santo, pelo programa Mais Médicos, criado em 2013 e interrompido pelo governo Bolsonaro. Em um território novo, tanto para o personagem quanto para o ator – que nunca tinha saído de Cuba antes do filme.
Em entrevista, o ator e DJ cubano detalhou o processo de pesquisa e a conexão humana que foram essenciais para dar vida ao seu personagem, que representa muitos profissionais que acabaram sofrendo hostilização durante o governo de extrema-direita no Brasil.
“Minha preparação incluiu entrevistas com amigos médicos em Cuba que cumpriram missões no exterior e conversas com um amigo próximo, também médico, que me ajudou a entender nuances da profissão e até mesmo questões de aparência, como suas tatuagens e dreadlocks. As decisões para o personagem foram tomadas com respeito, carinho e cuidado”,conta Reynier.

Questionado sobre a carga política inerente ao filme, Renier foi enfático: “Eu sou politizado desde criança, porque nós já nascemos em um país extremamente politizado”. Para ele, a política é implícita em tudo, e o ato de nascer já é um ato político. No entanto, afirmou que isso não foi o motor principal para aceitar o projeto, mas sim a narrativa humana. “O filme não fala exatamente disso e fala também!. Fala das decisões dos personagens”, ponderou, destacando que a forma como as coisas são ditas é mais importante do que o que é dito.
A produção contou com a parceria forte dos atores protagonistas. Reynier desenvolveu boa relação com as atrizes Ana Flavia Cavalcanti e Guga Patriota. Ele detalhou pra gente: “Desde o primeiro momento, eu sempre sinto que Ana é amiga da vida toda. A dinâmica no set foi fácil e natural, sem as barreiras usuais de quem se conhece há pouco tempo. Era com respeito, com certeza, mas desde o início eu estava falando para ele como se fossem amigos da vida toda”, relatou.
Ao final, Renier agradeceu o interesse do público brasileiro e expressou o desejo de que este seja apenas o primeiro de muitos projetos no país.
