De 30 de junho a 2 de agosto, o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília recebe a segunda edição da mostra Mestras do Macabro, que expande a experiência para além das sessões de cinema e ocupa o espaço com uma programação gratuita formada por 38 filmes dirigidos por mulheres, debates, masterclass, minicurso e sessões comentadas. Dedicada ao cinema de horror feito por mulheres, a mostra articula exibição, reflexão e formação em torno de um gênero historicamente dominado por homens, mas continuamente reinventado por cineastas que vêm deslocando seus códigos, imaginários e potências narrativas.
Entre os destaques da programação paralela está a sessão especial de Love Kills, no dia 3 de julho, seguida de bate-papo com a diretora Luiza Shelling Tubaldini e mediação do produtor Breno Lira Gomes. A atividade inaugura o eixo de encontros da mostra ao aproximar o público de uma produção brasileira contemporânea que tensiona os limites do horror a partir de uma perspectiva autoral, reafirmando o interesse da curadoria por obras que expandem o gênero em suas formas, atmosferas e fabulações.

Outro momento central da programação acontece no dia 8 de julho, com a sessão de curtas “O horror experimental de Cecelia Condit”, seguida do debate “Horror experimental feito por mulheres”, com as pesquisadoras e críticas de cinema Juliana Gusman e Julia Maass. O encontro se debruça sobre um dos eixos mais instigantes da mostra: as formas como cineastas mulheres têm tensionado o horror por meio da experimentação estética, da fabulação, do corpo, do grotesco e da recusa às convenções tradicionais do gênero.
Com curadoria da pesquisadora e especialista Beatriz Saldanha, a seleção reúne obras marcantes do horror contemporâneo, transitando entre o cinema independente, o mainstream e o experimental. Entre os nomes homenageados desta edição estão a videomaker estadunidense Cecelia Condit, referência incontornável do horror experimental, a cineasta francesa Marina de Van e a atriz brasileira Gilda Nomacce.
Sucesso em sua primeira edição, a mostra retorna ainda mais contundente e amplia seu escopo ao destacar não apenas diretoras, mas também mulheres em funções como roteiro, montagem e fotografia, evidenciando sua atuação em áreas fundamentais da produção audiovisual. Composta por 28 longas-metragens e 10 curtas brasileiros e internacionais, a programação reúne obras que representam algumas das experiências mais inventivas do horror das últimas décadas e reafirma o protagonismo feminino em um campo historicamente marcado por assimetrias de visibilidade.
