O cineasta brasileiro Alek Lean, artista participante do AfroLab Marvel VIRTUAL 2024, mais uma vez coloca o cinema nacional em evidência ao ter três de seus filmes selecionados para festivais internacionais de prestígio. Com uma trajetória marcada pelo engajamento social e pela experimentação cinematográfica, Lean continua conquistando espaço no cenário global, levando narrativas que promovem reflexões profundas sobre identidade, ancestralidade e direitos humanos.
Seu curta de ficção “Como Matar Uma Boneca” garantiu lugar nas mostras competitivas de três festivais internacionais: Black Film Festival Atlanta (EUA), Ahmedabad International Film Festival (Índia) e Kuala Lumpur International Film Academy Awards (Malásia). O curta já acumula nove prêmios e segue sua trajetória de sucesso ao explorar simbolismos ancestrais e sociais. Na trama, uma fotógrafa encontra uma boneca na floresta e a entrega para uma mulher, que se sente protegida por sua crença e branquitude. A narrativa propõe uma reflexão sobre estigmas históricos e o poder da ancestralidade.

Outro destaque é “Memórias de Cinema”, um curta documental que rememora a época de ouro dos cinemas de rua em São João de Meriti. O filme, que teve sua estreia mundial em Angola, agora disputa o Festival Internacional de Cine Gibara, em Cuba. A obra traz depoimentos emocionantes de moradores da cidade, relembrando um tempo em que os cinemas eram pontos de encontro e lazer, marcando gerações.
Já o curta experimental “Beijaço”, produzido com inteligência artificial, foi selecionado para o Arts and Machine Creativity AI Film Festival, em Hong Kong. A obra, que estreou no Museu de Arte do Rio na Mostra Cine Diversidade, projeta um Brasil distópico no ano 3003, onde abutres verde-amarelos tentam impedir um evento chamado “Beijaço Quilombo”. Com uma abordagem provocativa e simbólica, o filme critica o avanço do preconceito e homofobia no país.

Com uma formação que passa pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro e pelo Centro AfroCarioca de Cinema Zózimo Bulbul, Alek Lean tem se consolidado como um dos grandes nomes do cinema independente brasileiro. Seus filmes já foram exibidos em mais de 50 países. Entre suas conquistas estão o Prêmio Orgulho da Diáspora Africana de Literatura na FLIDAM, Prêmio Pretas Potências na categoria audiovisual.e mais de dez Menções Honrosas do Júri em festivais renomados na América, Europa, África e Ásia. Além disso, é idealizador do coletivo Experimental Filmes, voltado para produções com temáticas de direitos humanos.
Os festivais acontecem ao longo do mês de abril em seus respectivos países. O público pode acompanhar todas as datas de exibição dos filmes no Instagram @experimentalfilmes
