O documentário Intervenção, do brasileiro Gustavo Ribeiro, ganhou o público da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e está entre os 16 finalistas do Troféu Bandeira Paulista. O filme narra a luta pela urbanização e por melhores condições para os moradores das Comunidades do Nove, da Linha e do Cingapura Madeirite, localizadas na Vila Leopoldina, região nobre de São Paulo.
Agora, Intervenção e os demais concorrentes passarão pelo crivo do Júri, que anunciará o vencedor durante a cerimônia de encerramento nesta quarta-feira (30). Até lá, o doc terá uma última exibição no festival nesta terça-feira (29), às 19h30, no Cineclube Cortina.
Filmado ao longo de quatro anos em São Paulo, o filme aborda o dia-a-dia dos moradores de uma comunidade, formada por duas favelas e um conjunto habitacional na zona oeste da capital paulista, uma região que luta para ser urbanizada, enquanto enfrenta a resistência dos vizinhos dos condomínios de luxo.

“Havia um desejo dos moradores de mostrar o processo do PIU, o Plano de Intervenção Urbana, e a situação das suas moradias. Muitos moradores fizeram questão de abrir as casas para nós”, conta o diretor. Além dos depoimentos dos moradores, o longa acompanha ainda reuniões da comunidade e assembleias públicas, apontando a tensão entre a favela e a região mais valorizada ao seu redor.
“A ideia inicial era ouvir mais moradores dos prédios, de fora da comunidade, que são contra o PIU. Porém, houve uma resistência muito grande por parte deles. A única pessoa que topou foi a moça que está no documentário, Adriana Fonseca , que é a favor do PIU e quis dar seu depoimento”, explica Ribeiro. “Então em um dado momento eu desisti de entrevistar esse pessoal e mergulhar de cabeça nos moradores da comunidade, inclusive porque alguns deles também são contra o PIU.”
Montado durante nove meses, o longa foi finalizado enquanto o andamento do PIU se desdobrava. Ribeiro aponta que, por isso, capturou momentos muito representativos da realidade da comunidade.
“O primeiro foi a enchente, em que a favela ficou toda alagada. As pessoas perderam tudo, móveis, roupas, eletrodomésticos, comida, documentos. Ali, a precariedade das moradias e o descaso do poder público e da sociedade foram escancaradas, porque não era a primeira vez que a comunidade era alagada”, lembra. “Outro momento foi a pandemia, porque em geral as casas na comunidade são muito pequenas, com muitos moradores, e a rua é uma extensão das casas. Na favela o delivery não chega, não havia a possibilidade de isolamento nem quarentena.”
