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“Esta não é uma história de amor. Esta é a história do amor”. Um retrato de ‘Malcolm & Marie’

“Esta não é uma história de amor. Esta é a história do amor”. Um retrato de ‘Malcolm & Marie’

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“Esta não é uma história de amor. Esta é a história do amor.” O filme de Sam Levinson mergulha nas dinâmicas tóxicas que podem nascer quando duas pessoas se conhecem demais, e o amor se transforma em uma guerra íntima, travada com as armas da vulnerabilidade um do outro.

Aqui, paixão e destruição andam de mãos dadas. Não se trata de um rompante inesperado, mas de um lento e constante envenenamento da relação. Como Levinson sugere com maestria visual e textual, um dia por vez vamos morrendo e vamos matando. O filme expõe a covardia emocional que tantas vezes praticamos contra quem amamos: a ironia passivo-agressiva, o silêncio que fere mais que um grito, a explosão que usa segredos compartilhados como munição.

Nesse cenário, Malcolm (John David Washington) e Marie (Zendaya) encarnam arquétipos de uma dinâmica dolorosamente familiar: ele, o artista egocêntrico, incapaz de pedir desculpas sem ressalvas; ela, a parceira calejada, que carrega nas costas o peso de traumas e desilusões. Suas performances são intensas, quase claustrofóbicas e Zendaya, em especial, entrega uma atuação de cortar o coração — profunda, contida e explosiva na medida certa.

“Esta não é uma história de amor. Esta é a história do amor”. Um retrato de ‘Malcolm & Marie’

Apesar de seu texto carregar um certo artificialismo — mais peça teatral que conversa natural —, o filme acerta ao não romantizar o conflito. Pelo contrário: ele escancara a feiura de relações em que esperar uma explosão de ofensas é mais comum que refinar o diálogo. A fotografia em preto e branco, elegante e austera, contrasta com a crueza emocional, como se a beleza das imagens servisse de contraponto ao caos interno daquela casa — e daquelas vidas.

Há, é verdade, uma certa resistência à teatralidade excessiva de certas cenas, que poderiam ter ganhado mais verdade se menos coreografadas. No entanto, Malcolm & Marie cumpre seu papel como espelho de relacionamentos desgastados: é áspero, desconfortável e, para quem já viveu algo parecido, profundamente reconhecível.

Como muitas relações reais, o filme é tomado por aquele silêncio que precede o esporro — e, talvez, é nesses momentos de tensão contida que ele mais nos diz sobre o amor, o orgulho e a solidão de dois corpos que se amam, mas não sabem mais como se encontrar.

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Última atualização em: 10 de outubro de 2025 às 11:51

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