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“F1 – O Filme” é um ótima aventura sensorial que abraça seus clichês e eleva a qualidade dos filmes sobre corrida

"F1 - O Filme" é um ótima aventura sensorial que abraça seus clichês e eleva a qualidade dos filmes sobre corrida

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Um verdadeiro alento para os aficionados por Fórmula 1, esporte frequentemente sub-representado no cinema, foi o lançamento de “Rush – No Limite da Emoção”, dirigido por Ron Howard. A clássica rivalidade entre Niki Lauda e James Hunt nos anos 1970 resultou em um filme ágil, com personagens hipnotizantes e uma edição perfeita para mostrar aos desinteressados por monopostos que havia muita diversão ali.

Doze anos depois, “F1 – O Filme” (2025) representa mais uma vez a maior categoria automobilística do mundo, desta vez retratando os carros em tempo contemporâneo sob a direção de Joseph Kosinski.

A trama apresenta Sonny Hayes (Brad Pitt), um ex-piloto que perdeu a chance de atender às expectativas como grande talento das corridas devido a lesões, apostas e inseguranças. Para preencher o vazio de pensar no que poderia ter sido, ele vive de participar de corridas amadoras ou competições curtas, morando em trailers. Essa rotina muda quando é convidado a retornar à Fórmula 1 por uma equipe novata chamada APX GP, chefiada por Ruben Cervantes (Javier Bardem), ex-parceiro de Sonny. Ruben precisa de ajuda para desenvolver o promissor e arrogante jovem talento Joshua Pearce (Damson Idris). Com o pedido desesperado do amigo que está prestes a perder a equipe, Hayes é forçado a confrontar seu passado, presente e futuro.

Sim, é uma história clichê de mentor e aprendiz, mas, como qualquer clichê feito com esmero, funciona e diverte sem reservas. Brad Pitt entrega seu carisma habitual, defendendo com sinceridade o papel de veterano traumatizado. Infelizmente, o filme prefere dar flashes do passado do personagem ou reduzir sua complexidade ao que é apenas relatado nos diálogos. Não fosse Pitt um ator tão competente, haveria um vazio maior no desenvolvimento dramático de Hayes.

Um verdadeiro alento para os aficionados por Fórmula 1

O filme ensaia desenvolver um romance entre o piloto veterano e a engenheira da equipe, Kate McKenna (Kerry Condon), mas a relação acaba por se tornar uma leve “barriga” na trama, quase como se fosse uma obrigação cumprir os clichês dos filmes de superação.

O ponto alto, de fato, é a química entre Pitt e Idris. O jovem ator entrega uma boa performance como JP, que desde o começo sabemos que precisará de lições de amadurecimento. Mesmo sendo previsível, é uma jornada agradável de acompanhar.

O plot do vilão corporativo também poderia ser descartado para focar apenas na ação dentro da pista, mas não compromete o ótimo resultado final, que se sustenta na química dos protagonistas e nas excelentes cenas de corrida. Isso é de se esperar, vindo do mesmo diretor do incrível “Top Gun: Maverick”. Kosinski se consolida em filmar veículos em alta velocidade sem confundir o público e sem usar cortes excessivos para enganar a plateia. O peso do espetáculo é muito presente e sem ressalvas.

O realismo dos efeitos é reforçado pela participação de equipes e pilotos reais, como Lewis Hamilton e sua antiga Mercedes, e Max Verstappen e a Red Bull Racing.

A câmera tremendo junto com o volante, os closes nos olhos e suor dos pilotos, e o som dos motores aumentando a rotação vão agradar até quem considera a Fórmula 1 um esporte chato. É um entretenimento sensorial de primeira qualidade.

Os fãs vibrarão com os carros passando por pistas consagradas como Silverstone, Las Vegas e Abu Dhabi, estabelecendo uma experiência imersiva nunca antes vista em filmes sobre monopostos.

Um verdadeiro alento para os aficionados por Fórmula 1

Se há descrentes sobre as emoções de uma corrida, a produção parece ser uma Bíblia aberta para convertê-los. As texturas são exploradas de maneira sedutora, com o CGI sendo usado como um retoque imperceptível. Hans Zimmer tempera isso com a mescla de faixas pop (lançadas em álbum) e batidas eletrônicas vibrantes.

Fora das pistas, “F1 – O Filme” não oferece nada que o distinga de qualquer outro filme que explore a velha fórmula da jornada do herói em busca de redenção, mas compensa com o virtuosismo das cenas de ação e a mixagem de som. Talvez ter tido tanto apoio do próprio circo da Fórmula 1 tenha inibido o desenvolvimento de um roteiro mais ousado, mas ainda assim o resultado é mais que satisfatório.

Para os mais desconfiados, há a “surpresa” de um piloto estadunidense sendo melhor que um inglês, algo improvável na Fórmula 1 desde sempre, mas é possível abstrair e curtir os pequenos dilemas dos personagens e a grande ode às pistas de corrida.

Funcionando mais como propaganda da categoria do que como uma história em si, o filme consegue ser, então, uma ótima propaganda.

Se puder assistir em IMAX, terá um impacto audiovisual fascinante. É muito provável que o filme seja lembrado nas categorias técnicas do Oscar.

Atenção para um dos poucos momentos de silêncio do filme, que serve como homenagem ao brasileiro Ayrton Senna e sua descrição do que chamava de “modo monotonia”.

“F1 – O Filme” é encantadoramente previsível na história e um prazer visual e sonoro grandioso na técnica. A Fórmula 1 nunca foi tão pop.

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Última atualização em: 9 de setembro de 2025 às 11:33

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