Após o primeiro beijo entre gays negros em uma novela, que aconteceu em “Vai Na Fé” com Yuri (Guthierry Sotero) e Vini (Jean Paulo Campos), muita gente perguntou se o fato já aconteceu no cinema nacional ou ainda teríamos que esperar um longo tempo.
O curioso é que não aconteceu nos filmes de longa-metragem brasileiros mais famosos com protagonistas negros, como “Rainha Diaba” e “Madame Satã”. Não foi um selinho e sim um beijaço no curta-metragem “Lar Doce Celular” (2015), dirigido pelo cineasta Alek Lean.
Provavelmente essa pode ser a obra do pioneirismo desta ação, que deveria ser comum nas produções. Os atores Jonathan Fontella e Alek Lean protagonizaram o feito nesse filme que teve sua estréia no Outfest – Festival Internacional de Cine LGBT de Santo Domingo – Rep. Dominicana e Plateau Festival Internacional de Cinema – Praia – Cabo Verde (ambos em 2015). No Brasil foi selecionado para importantes festivias de cinema como o Encontro de Cinema Negro Brasil Zózimo Bulbul e Festival Internacional de Cinema Curtas Lapa – RJ, onde levou uma Menção Honrosa do Júri. Em 2022 foi exibido durante a parada LGBT americana no evento Atlanta Black Pride Film Festival (EUA).
Nesse mês de junho, quando se comemora o Dia Internacional do Orgulho LGBT+ o filme estará disponível no youtube da produtora Experimental Filmes.O ator Jonathan Fontella é o protagonista desse filme em preto e branco e contracena com o diretor em uma história sobre o vício na utilização do celular. Beijo entre dois gays negros é muito raro encontrar no audiovisual brasileiro. Em uma rápida pesquisa você encontra o vídeo-clipe Acaso (2017) do cantor Gê Lima. Depois e antes de “Lar Doce Celular” encontra-se somente beijo LGBT+ interraciais.
Sinopse do curta-metragem Lar Doce Celular:
Numa época não muito distante, o celular se transforma em um habitat natural, uma prisão prazerosa, uma jóia que mantém as pessoas sem atenção e o ciclo da venda de aparelhos roubados. Os aplicativos digitáveis substituem a comunicação oral. Nesse contexto, o jovem Luan fica dividido entre a atração por um homem e por seu aparelho telefônico. O filme brinca usando uma narrativa de cinema mudo em contraste com o avanço das tecnologias .
