Em 1986, Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga) estão semi-aposentados, focando em palestras e vida familiar. Sua paz é interrompida quando um espelho amaldiçoado – apresentado no prólogo como um objeto obscuro de um dos primeiros casos do casal – ressurge para assombrar a família Smurl. O casal reluta em voltar a ativa, mas o objeto desencadeia uma força demoníaca que ameaça não apenas os Smurl, mas também a sua filha, Judy (Mia Tomlinson), tragando-os para essa que promete ser a última empreitada demonológica dos Warren.
Em 2025, a franquia que redefiniu o terror sobrenatural moderno chega ao seu suposto capítulo final. “Invocação do Mal 4: O Último Ritual”, e promete ser o último capítulo da franquia que teve seu primeiro filme há 12 anos e deixou sua marca no gênero, gerando, além de quatro filmes na série principal, mais seis spinoffs (A Maldição da Chorona, Anabelle 1, 2 e 3 e A Freira 1 e 2), fazendo do “The Conjuring Universe”, produzido por James Wan e Peter Safran, um dos mais produtivos universos cinematográficos dos últimos anos, devendo ficar atrás somente dos universos de super-herois.
O filme é dirigido por Michael Chaves, que já trabalhou com os produtores em Invocação do Mal 3 (2021) e A Freira 2 (2023) – os últimos dois títulos da franquia. Na minha avaliação, este é o melhor de todos os trabalhos do diretor até aqui, porém não sai do lugar comum da franquia – prolongamento da tensão e jumpscares. Para todos nós que já estamos vacinados dessa fórmula, a sensação é a de que o filme inova pouco e pode se arrastar em determinados momentos, ainda assim é muito menos arrastado do que o “Invocação do Mal 3” e tem pontos fortes e envolventes que fazem valer o ingresso.

A estrutura do filme em sua primeira metade se dá em dois núcleos narrativos paralelos: os Warren – sendo apresentados ao genro, Tony (Ben Hardy), ao passo que Judy, que herdou o dom de sua mãe, sente o peso de não tê-lo aperfeiçoado – e os Smurl – um núcleo familiar composto por três gerações, enfrentando manifestações demoníacas crescentes após um tal espelho ser adquirido pelos avós. As duas histórias demoram a confluir e avançam em frentes distintas. Há um ponto em que você passa a se importar muito com quais implicações que estão ocorrendo com os Smurl, aí o filme te joga em 20 minutos do núcleo do casal Warren, que estão num ritmo muito mais ameno e entediante. Essa quebra faz o filme perder tração, num momento em que poderia ter desenvolvido o que fisgou os espectadores.
O religioso amigo dos Warren, Padre Gordon (Steve Coulter), uma figura menor já apresentada em títulos anteriores, ao entender que o casal não atua mais em exorcismos, se compromete com o auxílio à família Smurl, isso o faz protagonizar um dos melhores atos de todo o filme. Tensão crescente, ótimos efeitos e desfecho. A sequência do padre só nos deixa uma questão ao fim: se esse demônio tem essas capacidades, o que seguraria ele?
A boneca Annabelle tem um certo destaque, fazendo um excelente fan service, na medida para não nos deixar esquecer o quão grande é sua ameaça demoníaca. Por outro lado, o demônio principal do filme é extremamente pouco mostrado (tem duas aparições relativamente rápidas), mas faz sua presença valer através do espelho (o objeto em si) e de espíritos “fantoches” amaldiçoados. Nem sequer o nome do demônio é mencionado de tão qualquer coisa que ele é, apesar dele ter causado uma situação traumatizante para os próprios Warren no passado apresentado no prólogo.
Tecnicamente, o filme é competente: efeitos práticos, CGI e design de som atendem ao esperado. Contudo os sustos formulaicos e a construção da atmosfera inovam menos do que o que seria desejável para uma experiência totalmente satisfatória. Tanta enrolação pras coisas acontecerem, não faz subir o clima de tensão.. porque nós sabemos já o que vai acontecer, e sabemos até como vai acontecer. O filme não usa essa expectativa para subverter na maioria dos casos. O resultado é uma experiência mediana que – embora superior ao desastroso terceiro filme – não alcança a força dos dois primeiros. 6/10 tá ótimo.
Vá ao cinema conferir!
“Invocação do Mal 4: O Último Ritual” (2025)
Direção: Michael Chaves | Roteiro: Ian Goldberg, David Leslie Johnson-McGoldrick
Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ben Hardy, Mia Tomlinson
Estreia no Brasil: 4 de setembro de 2025
