Um dos cinco brasileiros selecionados para a terceira edição do programa ¡Hola Rio!, o artista visual JOTA participa de residência artística no Uruguai. Criado no Complexo do Chapadão, Zona Norte do Rio de Janeiro, o pintor desenvolve na capital uruguaia o projeto “Do Chapadão Para O Mundo”, reafirmando sua ascensão no cenário internacional após passagens por Milão, Amsterdã e Lille.
Durante este mês a Direção Nacional de Cultura, por meio do Instituto Nacional de Artes Visuais (INAV) e do Departamento de Cooperação e Relações Internacionais, recebe cinco artistas visuais do Brasil selecionados para realizar uma residência artística no 1825: Centro de Residências para as Práticas Artísticas Atuais, localizado no Complexo Miguelete, junto ao Espaço de Arte Contemporânea (EAC) e ao Museu Nacional de História Natural.
A programação inclui três semanas de palestras, conferências com artistas convidados, orientações, tutoriais, debates, visitas a espaços culturais da cidade e oficinas práticas, com trabalhos finais destinados ao acervo do EAC.

O artista de 24 anos Johny Alexandre Gomes, que assina como JOTA, tem um currículo expressivo no circuito nacional e internacional. Antes de chegar ao Uruguai, ele participou de importantes exposições como “Histórias Brasileiras”, no Museu de Arte de São Paulo (MASP); “Dos Brasis”, no Sesc Belenzinho (SP); e “FUNK: Un cri de Liberté”, em Lille, na França.
Também realizou exposições individuais na ArtRio (2022), na UNFAIR 22, na Holanda, e, em 2024, em Milão, ampliando sua presença no cenário europeu. Sua exposição mais recente foi “Amor Ódio”, realizada em 2025 no MT Projetos de Arte, no Centro Histórico do Rio de Janeiro. Agora, ele transporta a iconografia das festas típicas do Chapadão para espaços emblemáticos da cidade uruguaia, como a Praça da Independência.
Nascido em Honório Gurgel e criado no Complexo do Chapadão, ambos subúrbios do Rio de Janeiro, JOTA construiu sua linguagem artística a partir do território. Cronista nato de sua realidade, tornou-se conhecido por composições que narram o cotidiano complexo de sua comunidade: onde convivem o lúdico das crianças brincando, churrascos e festas populares com a crueldade dos conflitos territoriais e das tensões sociais.
Em sua fase mais recente, Jota incorpora elementos visuais do pan africanismo às telas. Suas obras passam a ser atravessadas pelas cores da bandeira do movimento criada em 1920 – o vermelho que representa o sangue, o preto que simboliza a pele e o verde que remete à fertilidade africana – estabelecendo uma ponte estética e simbólica entre os quilombos, as periferias urbanas contemporâneas e os movimentos globais de libertação.
