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“Juntos” explora o medo de estar só e o terror de estar junto

“Juntos” explora o medo de estar só e o terror de estar junto

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Para os amantes do terror, chegou aos cinemas brasileiros em 14 de agosto, com distribuição da Diamond Films, “Juntos”, filme sob direção do estreante em longas Michael Shanks, e estrelado pelo casal na vida real Dave Franco e Alison Brie (Jim e Millie). Há tempos não via uma obra do gênero criar uma premissa interessante e explorá-la tão bem.

O filme conta a história de um casal de namorados, que em meio a crises no relacionamento decidem que é a melhor hora de noivarem e morarem juntos. Jim é um homem de 35 anos, desempregado e que ainda sonha em viver da música, tocando guitarra na banda com seus amigos. Millie é uma moça formada e que conseguiu um emprego de professora em uma boa escola, mas numa região mais afastada do centro urbano. O casal muda-se para lá, se instalando em uma casa cercada pela natureza e tentam seguir a nova vida com naturalidade.

Jim enfrenta uma grande falta de interesse sexual, além de episódios de ansiedade, cujos sintomas são abordados com bastante crueza, o que pode ser um gatilho para alguns espectadores. Millie tenta muitas vezes e de diferentes formas reacender a chama do casal, preferindo se convencer de que Jim está apenas passando por uma fase ruim, e sendo bastante compreensiva (põe bastante nisso) com as necessidades de Jim. Fica implícito que talvez o casal não se ame mais e só estão muito acostumados um ao outro, embora não rompam, mesmo com amigos de ambos os lados dando conselhos de que o casal não funciona mais. Como se não bastasse esse cenário (que já é um terror por si só), algo de natureza sobrenatural acontece com o casal: uma maldição que quer fundir seus dois corpos em um único.

 “Juntos” explora o medo de estar só e o terror de estar junto

O início do filme nos mostra uma equipe de buscas realizando a procura por pessoas perdidas em uma floresta. Dois cães dessa equipe encontram uma caverna subterrânea e bebem a água de um poço enigmático do local. As buscas pelos desaparecidos se encerram sem sucesso, mas os cães começam a ter um comportamento estranho, até que no meio da madrugada em meio a barulhos, os cães são encontrados fundidos como uma amálgama monstruosa em seu canil.

Dessa forma o filme já nos apresenta desde a primeira cena o que espera pelo casal de protagonistas, sabemos desde o início “como” e no desenrolar da trama nós temos as explicações do “o quê” e “porquê” dessa maldição.

O filme, na sua primeira metade, faz algumas vezes uso do artifício de apresentar alguma situação apavorante, em que a pessoa acorda e descobre que é um sonho, mas felizmente não abusa muito disso, e as situações contribuem pro clima pra história. Uma delas é uma pista falsa que tem seu desfecho em um dos desabafos do protagonista sobre uma morte na sua família.

Jamie, interpretado por Damon Herriman, é vizinho do casal e o diretor da escola em que Millie começou a atuar como professora. Nota-se que ele apresenta interesse na protagonista, porém suas motivações não convencionais só são descobertas com o desenrolar da história. E claro que o interesse não é na moça, mas no casal.

As cenas em que o casal já está amaldiçoado são bem impactantes e causam agonia a ponto de te deixar encolhido enquanto assiste, muitas cenas saem da sugestão e mostram de maneira explícita a pele sendo esticada, penetrada e fundida.

Quando chega no terço final do filme, tudo já está telegrafado e o espectador consegue deduzir o fim, o que não deixa a experiência menos agoniante e surpreendente. Jim tem uma amostra aterrorizante de seu possível futuro, e logo as escolhas dos protagonistas de como lidar com a situação ficam entre a altamente traumática ou a de total abnegação. A escolha é tomada nos minutos finais e o diretor resolve não deixar nada subentendido, mostrando tudo e quase caindo no grotesco risível. Felizmente a cena não se estende a ponto de chegar no galhofa, embora a última cena de todas tenha sido, na minha avaliação, desnecessária. Mas é isso.. o filme se propôs a mostrar tudo, e mostra tudo.

Minha impressão assim que saí da sala de cinema é a de que tinha acabado de ver um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos. Dois dias após, enquanto escrevo, percebo que posso simplesmente ter me identificado demais com o protagonista.

Fato é que estávamos carentes de filmes de body terror com enredos realmente bons nos últimos anos. “Juntos” é um terror inteligente e angustiante que passa pelo “sobrenatural” e abusa do “físico” para dissecar o medo de estar só e o pavor de permanecer juntos. No balanço de tudo, minha nota é 8/10… certamente tornando-se um dos meus filmes favoritos do meu gênero favorito.

Juntos (2025)

Direção: Michael Shanks

Elenco: Dave Franco, Alison Brie, Damon Herriman

Estreia no Brasil: 14 de agosto de 2025

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Última atualização em: 24 de outubro de 2025 às 1:32

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