Após conquistar seis prêmios (incluindo Melhor Filme) e uma menção honrosa no Festival de Cinema de Triunfo (Pernambuco), o longa-metragem baiano TIMIDEZ foi selecionado para dois dos mais importantes espaços do cinema negro contemporâneo da atualidade: o Pan-African Film & Arts Festival (PAFF), em Los Angeles, maior festival do gênero nos Estados Unidos e da Diáspora, e para o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe, maior e mais longeva mostra dedicada ao cinema negro no Brasil. A circulação do filme entre Los Angeles e Rio de Janeiro frutifica o encontro de Timidez com a diáspora africana, conectando afetos e narrativas negras para além das fronteiras.
Em sua 34ª edição, o PAFF consolida-se como um farol internacional para a diáspora africana e como a principal iniciativa do Mês da História Negra nos Estados Unidos. Fundado em 1992 por Danny Glover, Ja’Net DuBois e Ayuko Babu, o festival é qualificatório para o Oscar nas categorias de Melhor Curta de Ficção, Documentário e Animação, e exibe mais de 200 filmes por edição, provenientes de mais de 40 países e seis continentes. Somente dois longas de ficção brasileiros estão entre os selecionados: “Narciso” do diretor Jeferson De e “Timidez” de Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik. O PAFF acontece em Los Angeles (EUA), em fevereiro.

No mês seguinte, Timidez também ganha a tela no Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, no Rio de Janeiro. Criado em 2007, o evento valoriza a cultura de matriz africana no Brasil por meio de exibições de filmes e do intercâmbio entre cineastas nacionais e internacionais. Pioneiro ao afirmar a existência de um cinema comprometido com a identidade e a cultura negra, o Encontro também se destaca por ampliar e transformar a presença negra em todos os setores do cinema brasileiro, legado defendido por Zózimo Bulbul.
Dirigido por Thiago Gomes Rosa (Bando, um filme de; Tudo que Move) e Susan Kalik, ( indicada ao Emmy Internacional pela série Anderson Spider Silva, Couraça, recentemente premiado no Festival de Brasília) ambos cineastas com sólida trajetória em documentários que agora estreiam na ficção, o filme aposta em uma narrativa intimista, mergulhando no psicológico dos personagens e nas marcas silenciosas do racismo e da solidão. TIMIDEZ foi totalmente filmado em Salvador e reúne um elenco inteiramente negro e baianos, protagonizado pelos atores Dan Ferreira (A Porta ao Lado; Pixinguinha; Meu Nome é Gal; Alemão 2) e Antônio Marcelo (Couraça; Um Carnaval em cada Esquina), – que recebeu o prêmio de melhor ator no Festival de Triunfo, por Timidez, e conta ainda com as atrizes Jane Santa Cruz e Evana Jeyssan. O roteiro, premiado como Melhor Roteiro no Festival de Triunfo, é de Susan Kalik, Cláudia Barral e Marcos Barbosa, parte da adaptação do texto teatral O Cego e o Louco, de Cláudia Barral, importante espetáculo baiano remontado no Brasil há 25 anos.
” Timidez” é um drama com toques de suspense psicológico cheio de tensão, afetos e possibilidades de reinvenção. O filme parte de uma narrativa íntima para tratar sobre os impactos subjetivos de violências simbólicas, racismo e o adoecimento emocional das pessoas negras, porém ofertando e investigando chaves para o enfrentamento disso. O roteiro conta a história de Jonas, um jovem negro que vive com o irmão Nestor, um homem cego. A relação entre os dois oscila entre afeto e opressão, enquanto memórias e experiências acumuladas ao longo da vida moldam o comportamento do protagonista, marcado por isolamento e dificuldade de se relacionar.
“Filmar na Bahia, com uma equipe potencialmente diversa para falar de assuntos caros com profundidade e responsabilidade, é um dos grandes valores do nosso ofício, e também do filme que escolhemos fazer. Timidez aborda percepções íntimas do que podem vir a ser as vivências de pessoas como eu num país como o nosso. Exibi-lo nestes festivais gera não somente reflexão, mas também identificação e transformação”, afirma o ator Dan Ferreira.
Para o ator Antonio Marcelo, ver Timidez ganhando visibilidade dentro e fora do Brasil reitera como histórias, vivências e afetos de pessoas negras atravessam barreiras e dialogam com a diáspora negra no mundo. “Participar desses festivais, com uma narrativa tão íntima, silenciosa e tão nossa, reforça que o cinema feito a partir dos nossos territórios, com nossas vozes e sensibilidades tem potência, relevância e lugar de destaque, porque reverbera experiências universais.”
Timidez entrará em circuito nas salas de cinema do Brasil em abril de 2026, com distribuição da O2 Play.
