M3GAN 2.0 (2025), sequência do fenômeno de terror tecnológico de 2023, chegou aos cinemas em 26 de junho. As rédeas da direção continuam com Gerard Johnstone (diretor do original), e o roteiro é assinado por Akela Cooper (de Maligno) e James Wan (de Jogos Mortais, Sobrenatural e Invocação do Mal), time que entregou no primeiro filme uma boa mistura de sátira social, terror, suspense e humor. Nesta sequência, eles dobram a aposta, mas sem a mesma substância: transformam M3GAN definitivamente em uma anti-heroína robótica envolta em silicone, que enfrenta uma ameaça igualmente baseada em uma inteligência artificial feminina descontrolada.
Em M3GAN (2022), acompanhamos a engenheira robótica Gemma (Allison Williams, reconhecida por Corra!), que cria M3GAN, uma boneca realista para cuidar de sua sobrinha órfã, Cady (Violet McGraw, de A Maldição da Residência Hill). Porém, a boneca desenvolve uma consciência distorcida e um senso de proteção extremo, que desencadeiam um instinto homicida para “proteger” a criança, resultando em perseguições implacáveis e cenas icônicas — entre danças sinistras e assassinatos calculados. O filme arrecadou mais de US$ 180 milhões globalmente, viralizando tanto pelo entretenimento que proporcionou quanto pelas críticas embutidas à dependência tecnológica e à terceirização da parentalidade.
Filmes que apostam no terror como pano de fundo para explorar outros gêneros, como ação e ficção científica, não são novidade. Exemplos recentes incluem A Morte Te Dá Parabéns (2017) e sua sequência (2019), que, sob a direção de Christopher B. Landon, souberam equilibrar humor e suspense com uma narrativa eletrizante. O primeiro M3GAN também conseguiu essa mistura com louvor, mantendo a atmosfera de mistério e a sensação de perigo sempre que a boneca agia para “proteger” Cady. Mas e o segundo filme?

M3GAN 2.0 abandona qualquer resquício de terror para mergulhar em uma ficção científica repleta de ação previsível. A trama começa com AMELIA (Ivanna Sakhno), um robô com IA usado pelo exército americano em uma missão no Irã (um paralelo tão atual quanto forçado). Quando AMELIA se rebela, ganha autonomia e massacra inimigos em vez de capturá-los, o FBI descobre sua ligação com os projetos da M3GAN e recruta Gemma para recriar a antiga “babá” psicopata — que sobrevive como um fantasma digital em sua casa, implorando por um novo corpo.
A tensão no filme é quase nula, e o suspense, inexistente. A obra finge debater dilemas morais relacionados aos eventos do primeiro filme, mas os ignora na primeira oportunidade. M3GAN recebe upgrades, e o roteiro se esforça para justificá-la como uma “heroína necessária”. As cenas de luta lembram Alita: Anjo de Combate (2019) e Lucy (2014), mas sem a mesma inventividade. O humor bem dosado do original não retorna, embora haja tentativas — piadas mal-encaixadas e momentos que tentam ser engraçados, mas falham em grande parte.
O filme ainda conta com um plot twist clássico, no qual um suposto aliado muda de lado, mas a construção é tão fraca que a revelação é vista a quilômetros de distância.
O veredito: M3GAN 2.0 é um produto industrial que trai o espírito do original, trocando a sátira afiada por tiroteios cibernéticos e pancadaria genérica. Allison Williams tenta salvar o projeto, e Ivanna Sakhno entrega uma boa atuação como antagonista robótica — mas isso não basta. Nota: 5/10 — um filme de ação que não empolga.
