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“Mamonas Assassinas – O Filme” é um dos piores filmes nacionais dos últimos tempos

Há filmes medíocres, filmes ruins, há filmes constrangedores, e há "Mamonas Assassinas – O Filme", uma categoria própria de desastre cinematográfico que consegue a proeza de transformar a trajetória de uma das bandas mais carismáticas da história da música brasileira em um produto raso, mal-acabado e, em diversos momentos, ofensivo. E é lamentável que um grupo tão emblemático siga sem grandes obras cinematográficas ou literárias (excetuando dois bons documentários) que retratem sua passagem por aqui. Dirigido por Edson Spinello, cujo currículo pouco invejável inclui novelas da Record como “Rei Davi” e “Apocalipse”, e roteirizado por Carlos Lombardi, o longa-metragem chegou à Netflix em junho de 2025 após uma passagem apagada pelos cinemas em dezembro de 2023 . O resultado é tão desastroso que faz o espectador questionar não apenas a capacidade técnica da produção, mas sobretudo o respeito mínimo com a memória de Dinho, Bento, Júlio, Samuel e Sérgio, os jovens de Guarulhos que em apenas oito meses conquistaram o Brasil com humor irreverente, música contagiante e venderam mais de 3 milhões de cópias de seu único disco. Uma das piores cinebiografias da história do cinema nacional Não é exagero classificar "Mamonas Assassinas – O Filme" como um dos piores filmes brasileiros lançados nos últimos anos. A produção de aproximadamente R$ 7 milhões entrega um resultado que parece feito por estudantes de comunicação em um fim de semana, sem o menor cuidado com direção de arte, continuidade ou construção narrativa. O resultado seria risível se não fosse a coisa mais trágica a acontecer com os meninos de Guarulhos desde o fatídico acidente que matou os integrantes da banda em 1996. O problema começa no roteiro, que mais parece uma colcha de retalhos mal costurada. A narrativa é completamente bagunçada: uma sequência de esquetes sem ritmo, sem progressão clara e sem qualquer cuidado com a construção dramática. Logo no início do filme, Dinho (Ruy Brissac) encontra a então namorada no carro de outro rapaz e a moça não decide se está chateada por ter sido descoberta ou se é uma vilã de novela mexicana. A cena é completamente inexplicável, assim como a reação do cantor ao falar sozinho no meio da rua e em seguida sair correndo (com um Renault Kwid Outsider 2020 aparecendo claramente no fundo). Personagens aparecem e desaparecem sem explicação e há pouquíssima interação dos protagonistas com os familiares que ajudaram a formar suas personalidades. Os pais de Dinho, por exemplo, são apresentados de forma abrupta, e o espectador nunca chega a entender a dinâmica familiar que poderia dar profundidade à história . O filme tenta abarcar desde os tempos da banda Utopia (quando os integrantes ainda faziam covers do rock nacional e rock pseudoprogressivo) até o sucesso meteórico e o trágico acidente de 1996, mas não desenvolve nada com o mínimo de profundidade. Nem mesmo as conhecidas gravações do videoclipe amador no Parque Cecap ou as apresentações da banda em TVs regionais são retratadas. A impressão que fica é que o material foi originalmente concebido como uma série de cinco capítulos e depois compactado às pressas, resultando em cortes bruscos, elipses incompreensíveis e uma sensação constante de que falta informação essencial para entender o que está acontecendo. Me pergunto se houve unanimidade da família na aprovação dessa atrocidade. Ruy Brissac, que já interpretou Dinho nos palcos, até se esforça para capturar o carisma do vocalista e canta as próprias músicas, mas acaba resvalando na caricatura, além do uso inexplicável de uma peruca pavorosa. O restante do elenco também não faz muito.. As atuações são tão inconsistentes que em diversos momentos o longa beira o constrangimento. Os demais integrantes da banda são tratados como figurantes de luxo: Bento Hinoto (interpretado por Alberto Hinoto, sobrinho do verdadeiro guitarrista) quase não tem falas e nem tem seu talento na guitarra explorado . A construção dos personagens é tão superficial que o espectador sai do filme sem saber absolutamente nada sobre a personalidade de Júlio Rasec, Samuel Reoli ou Sérgio Reoli. Sabe-se, por exemplo, do amor de Sérgio por animais e de Samuel por desenhar aviões. Detalhes que poderiam dar pistas maiores sobre os retratados. A direção de fotografia é monótona, quase inexistente, sem qualquer identidade visual que remeta aos anos 1990 de forma consistente . Mas os problemas vão muito além da falta de estilo. Os erros de ambientação são grotescos e imperdoáveis para uma produção com orçamento milionário . Em uma cena na cozinha, é possível avistar uma tomada de três pinos, modelo que só foi instituído no governo Dilma Rousseff, décadas depois dos anos 90 retratados no filme . A montagem é outro capítulo à parte. Cortes sem sentido e desnecessários se acumulam em todas as cenas. Há um diálogo entre Tonhão e a irmã de Dinho que recebe 13 cortes em poucos segundos, com imagens que não duram nem um segundo . Os shows apresentam uma plateia entediada e nenhuma das icônicas aparições na televisão são abordadas. Mas talvez o maior pecado do filme seja investir em sub-tramas românticas que tratam as mulheres como vilãs sem alma que estão sempre aptas a separar as bandas. Nenhuma das namoradas conhecidas dos integrantes é retratada no filme. A abordagem narrativa reserva um tratamento dado às personagens femininas beira o ridículo e revela um machismo anacrônico. Todas as mulheres que cruzam o caminho dos integrantes da banda são retratadas de forma estereotipada, interesseira e vilanesca . Não há nuances, não há profundidade, são figuras unidimensionais cuja única função na trama é criar obstáculos para os "pobres e inocentes rapazes" . A personagem responsável por um conflito entre irmãos é particularmente sintomática: mesmo diante da admissão de Sérgio de que traiu o irmão Samuel com sua namorada, a narrativa coloca a culpa exclusivamente na mulher, tratada como "danadinha" e manipuladora . Essa escolha narrativa torna o filme imediatamente ultrapassado para qualquer espectador minimamente consciente das discussões contemporâneas sobre representatividade. É como se o roteiro tivesse sido escrito nos anos 1990 e nunca revisado. E talvez esse machismo seja a única coisa que o filme tenha trazido do passado. As canções dos Mamonas Assassinas são descritas como compostas de forma automática durante passagens do filme, contrariando o que os próprios membros reais já tinham contado em vida. A trilha sonora é o elemento mais bem aproveitado da produção, com as músicas interpretadas pelo próprio elenco, mas com toda a tosquice em volta, a gente quase prefere só ligar nosso streaming de música e ouvir sem ter que ver o longa. Seria interessante poder ver uma contextualização sobre o processo criativo da banda . O espectador nunca entende de onde vinha a veia cômica dos integrantes. Nenhum deles parece capaz de compor aquelas canções, ao contrário do que vemos nos arquivos reais da banda, onde todos eram naturalmente engraçados. Tudo é resolvido com uma cena rápida em que os personagens simplesmente "criam" um hit enquanto tocam seus instrumentos. Há uma tentativa vaga de justificativa pelo empresário (interpretado por Ton Prado), que diz que o grupo "falava sobre os perrengues do dia a dia e ria da breguice", mas a incapacidade do filme em traduzir isso em imagens torna o discurso vazio e forçado . A estética é de novela, a linguagem é de novela, o ritmo é de novela . Mas uma novela acelerada, mal editada e sem o tempo necessário para desenvolver personagens e conflitos . A sensação constante é de estar assistindo a uma versão compactada de algo que deveria ter muito mais tempo para respirar . Os dramas são resolvidos em minutos, as relações são estabelecidas sem qualquer construção prévia, e o espectador nunca chega a se importar de verdade com o que está acontecendo na tela . Quando chega o famoso discurso de Dinho em Guarulhos, em que ele diz que "o impossível não existe", a cena não tem força . Não há sensação de superação, de jornada cumprida – porque o filme simplesmente não construiu essa jornada. Tudo acontece rápido demais, superficial demais, desimportante demais. "Mamonas Assassinas – O Filme" é a sensação de oportunidade perdida. A banda de Guarulhos merecia uma cinebiografia à altura de seu legado, um filme que capturasse o zeitgeist. Talvez o único acerto seja a não exploração do acidente, embora até disso desse para tirar algum drama humano. Em vez disso, o que se tem é um produto raso, confuso e mal executado, que banaliza a trajetória dos Mamonas e ignora seu impacto cultural . O longa falha em mostrar por que a banda foi tão importante, por que suas músicas seguem sendo ouvidas até hoje (são 1,8 milhão de ouvintes mensais no Spotify), por que o acidente de 2 de março de 1996 parou o Brasil . "Mamonas Assassinas – O Filme" é um caso raro de produção que falha em absolutamente tudo o que se propõe a fazer** . Não funciona como biografia (é superficial e confusa), não funciona como homenagem (é desrespeitosa com a memória dos integrantes), não funciona como entretenimento (é arrastado e mal montado), não funciona como registro histórico (é cheio de erros factuais e de ambientação). O mais triste é pensar que os Mamonas Assassinas – com seu humor ácido, sua inteligência musical e sua capacidade de rir de si mesmos provavelmente seriam os primeiros a detonar o filme.

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Há filmes medíocres, filmes ruins, há filmes constrangedores, e há “Mamonas Assassinas – O Filme”,  uma categoria própria de desastre cinematográfico que consegue a proeza de transformar a trajetória de uma das bandas mais carismáticas da história da música brasileira em um produto raso, mal-acabado e, em diversos momentos, ofensivo. E é lamentável que um grupo tão emblemático siga sem grandes obras cinematográficas ou literárias  (excetuando dois bons documentários)  que retratem sua passagem por aqui.

Dirigido por Edson Spinello, cujo currículo pouco invejável inclui novelas da Record como “Rei Davi” e “Apocalipse”, e roteirizado por Carlos Lombardi, o longa-metragem chegou à Netflix em junho de 2025 após uma passagem apagada pelos cinemas em dezembro de 2023 . O resultado é tão desastroso que faz o espectador questionar não apenas a capacidade técnica da produção, mas sobretudo o respeito mínimo com a memória de Dinho, Bento, Júlio, Samuel e Sérgio, os jovens de Guarulhos que em apenas oito meses conquistaram o Brasil com humor irreverente, música contagiante e venderam mais de 3 milhões de cópias de seu único disco.

Uma das piores cinebiografias da história do cinema nacional

Não é exagero classificar “Mamonas Assassinas – O Filme” como um dos piores filmes brasileiros lançados nos últimos anos. A produção de aproximadamente R$ 7 milhões entrega um resultado que parece feito por estudantes de comunicação em um fim de semana, sem o menor cuidado com direção de arte, continuidade ou construção narrativa. O resultado seria risível se não fosse a coisa mais trágica a acontecer com os meninos de Guarulhos desde o fatídico acidente que matou os integrantes da banda em 1996.

Rhener Freitas (Sérgio Reoli), Adriano Tunes (Samuel Reoli),  Ruy Brissac (Dinho), Bento Hinoto (Beto Hinoto),  Robson Lima (Júlio Rasec)

O problema começa no roteiro, que mais parece uma colcha de retalhos mal costurada. A narrativa é completamente bagunçada: uma sequência de esquetes sem ritmo, sem progressão clara e sem qualquer cuidado com a construção dramática.

Logo no início do filme, Dinho (Ruy Brissac) encontra a então namorada no carro de outro rapaz e a moça não decide se está chateada por ter sido descoberta ou se é uma vilã de novela mexicana. A cena é completamente inexplicável, assim como a reação do cantor ao falar sozinho no meio da rua e em seguida sair correndo (com um Renault Kwid Outsider 2020 aparecendo claramente no fundo).

Personagens aparecem e desaparecem sem explicação e há pouquíssima interação dos protagonistas com os familiares que ajudaram a formar suas personalidades. Os pais de Dinho, por exemplo, são apresentados de forma abrupta, e o espectador nunca chega a entender a dinâmica familiar que poderia dar profundidade à história .

O filme tenta abarcar desde os tempos da banda Utopia (quando os integrantes ainda faziam covers do rock nacional e rock pseudoprogressivo) até o sucesso meteórico e o trágico acidente de 1996, mas não desenvolve nada com o mínimo de profundidade. Nem mesmo as conhecidas gravações do videoclipe amador no Parque Cecap ou as apresentações da banda em TVs regionais são retratadas.

A impressão que fica é que o material foi originalmente concebido como uma série de cinco capítulos e depois compactado às pressas, resultando em cortes bruscos, elipses incompreensíveis e uma sensação constante de que falta informação essencial para entender o que está acontecendo. Me pergunto se houve unanimidade da família na aprovação dessa atrocidade.

Ruy Brissac, que já interpretou Dinho nos palcos, até se esforça para capturar o carisma do vocalista e canta as próprias músicas, mas acaba resvalando na caricatura, além do uso inexplicável de uma peruca pavorosa. O restante do elenco também não faz muito.. As atuações são tão inconsistentes que em diversos momentos o longa beira o constrangimento.

Os demais integrantes da banda são tratados como figurantes de luxo: Bento Hinoto (interpretado por Alberto Hinoto, sobrinho do verdadeiro guitarrista) quase não tem falas e nem tem seu talento na guitarra explorado . A construção dos personagens é tão superficial que o espectador sai do filme sem saber absolutamente nada sobre a personalidade de Júlio Rasec, Samuel Reoli ou Sérgio Reoli. Sabe-se, por exemplo, do amor de Sérgio por animais e de Samuel por desenhar aviões. Detalhes que poderiam dar pistas maiores sobre os retratados.

A direção de fotografia é monótona, quase inexistente, sem qualquer identidade visual que remeta aos anos 1990 de forma consistente . Mas os problemas vão muito além da falta de estilo. Os erros de ambientação são grotescos e imperdoáveis para uma produção com orçamento milionário . Em uma cena na cozinha, é possível avistar uma tomada de três pinos, modelo que só foi instituído no governo Dilma Rousseff, décadas depois dos anos 90 retratados no filme .

A montagem é outro capítulo à parte. Cortes sem sentido e desnecessários se acumulam em todas as cenas. Há um diálogo entre Tonhão e a irmã de Dinho que recebe 13 cortes em poucos segundos, com imagens que não duram nem um segundo .

Os shows apresentam uma plateia entediada e nenhuma das icônicas aparições na televisão são abordadas.

Mas talvez o maior pecado do filme seja investir em sub-tramas românticas que tratam as mulheres como vilãs sem alma que estão sempre aptas a separar as bandas. Nenhuma das namoradas conhecidas dos integrantes é retratada no filme. A abordagem narrativa reserva um tratamento dado às personagens femininas beira o ridículo e revela um machismo anacrônico.

Todas as mulheres que cruzam o caminho dos integrantes da banda são retratadas de forma estereotipada, interesseira e vilanesca . Não há nuances, não há profundidade, são figuras unidimensionais cuja única função na trama é criar obstáculos para os “pobres e inocentes rapazes” .

A personagem responsável por um conflito entre irmãos é particularmente sintomática: mesmo diante da admissão de Sérgio de que traiu o irmão Samuel com sua namorada, a narrativa coloca a culpa exclusivamente na mulher, tratada como “danadinha” e manipuladora .

Essa escolha narrativa torna o filme imediatamente ultrapassado para qualquer espectador minimamente consciente das discussões contemporâneas sobre representatividade. É como se o roteiro tivesse sido escrito nos anos 1990 e nunca revisado. E talvez esse machismo seja a única coisa que o filme tenha trazido do passado.

As canções dos Mamonas Assassinas são descritas como compostas de forma automática durante passagens do filme, contrariando o que os próprios membros reais já tinham contado em vida. A trilha sonora é o elemento mais bem aproveitado da produção, com as músicas interpretadas pelo próprio elenco, mas com toda a tosquice em volta, a gente quase prefere só ligar nosso streaming de música e ouvir sem ter que ver o longa.

Seria interessante poder ver uma contextualização sobre o processo criativo da banda . O espectador nunca entende de onde vinha a veia cômica dos integrantes. Nenhum deles parece capaz de compor aquelas canções, ao contrário do que vemos nos arquivos reais da banda, onde todos eram naturalmente engraçados. Tudo é resolvido com uma cena rápida em que os personagens simplesmente “criam” um hit enquanto tocam seus instrumentos.

Há uma tentativa vaga de justificativa pelo empresário (interpretado por Ton Prado), que diz que o grupo “falava sobre os perrengues do dia a dia e ria da breguice”, mas a incapacidade do filme em traduzir isso em imagens torna o discurso vazio e forçado .

A estética é de novela, a linguagem é de novela, o ritmo é de novela . Mas uma novela acelerada, mal editada e sem o tempo necessário para desenvolver personagens e conflitos .

Os Mamonas originais em foto de arquivo

A sensação constante é de estar assistindo a uma versão compactada de algo que deveria ter muito mais tempo para respirar . Os dramas são resolvidos em minutos, as relações são estabelecidas sem qualquer construção prévia, e o espectador nunca chega a se importar de verdade com o que está acontecendo na tela .

Quando chega o famoso discurso de Dinho em Guarulhos, em que ele diz que “o impossível não existe”, a cena não tem força . Não há sensação de superação, de jornada cumprida – porque o filme simplesmente não construiu essa jornada. Tudo acontece rápido demais, superficial demais, desimportante demais.

“Mamonas Assassinas – O Filme” é a sensação de oportunidade perdida. A banda de Guarulhos merecia uma cinebiografia à altura de seu legado, um filme que capturasse o zeitgeist.

Talvez o único acerto seja a não exploração do acidente, embora até disso desse para tirar algum drama humano. Em vez disso, o que se tem é um produto raso, confuso e mal executado, que banaliza a trajetória dos Mamonas e ignora seu impacto cultural . O longa falha em mostrar por que a banda foi tão importante, por que suas músicas seguem sendo ouvidas até hoje (são 1,8 milhão de ouvintes mensais no Spotify), por que o acidente de 2 de março de 1996 parou o Brasil .

“Mamonas Assassinas – O Filme” é um caso raro de produção que falha em absolutamente tudo o que se propõe a fazer** . Não funciona como biografia (é superficial e confusa), não funciona como homenagem (é desrespeitosa com a memória dos integrantes), não funciona como entretenimento (é arrastado e mal montado), não funciona como registro histórico (é cheio de erros factuais e de ambientação).

O mais triste é pensar que os Mamonas Assassinas – com seu humor ácido, sua inteligência musical e sua capacidade de rir de si mesmos provavelmente seriam os primeiros a detonar o filme.

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Última atualização em: 11 de março de 2026 às 22:47

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