Morreu nesta quarta-feira (10) a cineasta Joyce Prado, uma das principais vozes do audiovisual negro brasileiro contemporâneo. Nascida em 1987 na capital paulista, ela se formou em Rádio e TV pela Universidade Belas Artes e atuava como diretora, roteirista e produtora, com obras dedicadas à história da população negra, à ancestralidade e à diáspora.
A notícia foi lamentada publicamente pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, que compartilhou em suas redes sociais imagens do videoclipe “Terra Aféfé”, dirigido por Joyce em 2022. “O audiovisual brasileiro perde um de seus talentos muito cedo”, escreveu a ministra. “Joyce foi a diretora do meu clipe ‘Terra Aféfé’, e através de seu olhar cuidadoso, criativo e sensível eternizou uma música muito especial para mim, além de fazer parte do Conselho Superior do Cinema.”
Trajetória e legado
Joyce Prado construiu uma carreira marcada pela valorização de narrativas negras e pela investigação de temas como memória, identidade e resistência. Seu trabalho era reconhecido não apenas pela força temática, mas também pela sensibilidade estética e pela capacidade de traduzir em imagens a complexidade da experiência negra no Brasil.
Além do clipe para Margareth Menezes, a cineasta dirigiu curtas, documentários e projetos autorais que circulavam em festivais nacionais e internacionais. Sua participação no Conselho Superior do Cinema demonstrava seu compromisso também com a construção de políticas públicas para o setor.
A causa da morte não foi divulgada oficialmente pela família até o fechamento desta edição. A perda de Joyce Prado aos 37 anos é sentida como um vazio prematuro no cinema brasileiro, especialmente em um momento de crescente visibilidade e demanda por produções que reflitam a diversidade do país.
