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“Superman” esquenta o coração, abraça seu lado bobo e lembra que adaptações de quadrinhos são feitas para se divertir e também sonhar

O Superman é o maior herói de todos os tempos da cultura pop.

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O Superman é o maior herói de todos os tempos da cultura pop. Mesmo os avessos aos símbolos estadunidenses do azulão não deixam de reconhecer sua influência na concepção da ideia de heroísmo entranhada na mente das pessoas.

No cinema, o Super teve um caminho acidentado, irregular e por muitos anos negligenciado. Enquanto seu parceiro de Liga da Justiça, Batman, ganhava inúmeras chances de se reinventar na sétima arte, o alienígena de Krypton vivia de projetos abandonados e releituras truncadas e até mesmo duvidosas, como foi o caso da encarnação idealizada por Zack Snyder em “O Homem de Aço” (2013), “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” (2016) e “Liga da Justiça” (2017).

Quando a DC anunciou que James Gunn (trilogia Guardiões da Galáxia) comandaria o novo filme do Superman, a esperança dos fãs se reacendeu para que o herói deixasse a depressiva e soturna versão anterior para trás, ao mesmo tempo que não tentasse imitar o clássico eternizado por Christopher Reeve.

Eis que James Gunn traz à tona um Superman que é não apenas esperançoso, bondoso e solar, mas também político, sem deixar de abraçar seu lado bobo e quadrinesco.

O Superman é o maior herói de todos os tempos da cultura pop.

Superman, dessa vez interpretado por David Corenswet (Pearl), age para fazer justiça à mensagem deixada por seus pais biológicos de que ele foi enviado à Terra para ser um símbolo de esperança. Entretanto, sua jornada ganha contornos dramáticos quando o resto da missão dada a ele por seus parentes kryptonianos envolve dominação mundial. Agora, essa informação será usada contra ele enquanto o herói também embarca num conflito geopolítico.

O filme abre com a cena já vista no trailer do Superman ferido e pedindo ajuda ao estabanado e bagunceiro fiapo de manga Krypto. Estabelece-se de forma imediata a vulnerabilidade do azulão, que para retornar para a batalha da qual foi surrado, precisa receber cargas de luz solar para se restabelecer e se curar. Isso coloca um limite interessante nas quase infinitas possibilidades de ação que aprendemos a esperar do personagem, deixando-o mais interessante de acompanhar.

Ao estabelecer o conflito inicial como de origem geopolítica, James Gunn não hesita em fincar o primeiro filme do novo Universo Cinematográfico DC num campo em que a maior parte dos filmes do gênero evita: ultrapassar a linha do discurso político. Não à toa, o filme já é alvo dos sempre lunáticos cidadãos reacionários norte-americanos, que têm acusado o longa de ser “woke”.

Superman enfrenta o exército da Borávia, que tenta invadir o país vizinho e tomar seu território por considerá-lo uma nação ilegal. Qualquer relação com Israel e Palestina – provavelmente – não é mera coincidência. Embora tenha salvado vidas, a conduta do protagonista instiga preocupação em chefes de Estado, que não sabem como lidar com um herói popular, que tem feito o bem, mas que age por conta própria, provocando incidentes diplomáticos.

Cabe apontar para como o filme tira da frente a obrigação de explicar detalhadamente o novo Universo, explicando em letreiros que seres super poderosos já existem na Terra há algumas décadas e que o Superman age em Metrópolis há três anos. Com isso, Gunn não subestima a inteligência do público de entender os personagens que serão apresentados a seguir, como o Lanterna Verde Guy Gardner, a Mulher Gavião e o Senhor Incrível.

O Superman é o maior herói de todos os tempos da cultura pop.

David Corenswet é um ótimo Superman. O ator encarna a bondade e a preocupação intrínseca do personagem com absolutamente todos os seres vivos. As boas cenas de batalha explicitam suas tentativas de diminuir danos colaterais humanos e até mesmo de inimigos. Podemos fazer um paralelo com o Super de Henry Cavill, que preferia se desviar de um caminhão e deixá-lo colidir com um posto de gasolina.

Corenswet demonstra a vulnerabilidade, o carisma e a força de um ser tentando entender seu lugar num mundo que ainda não sabe se aceita ou não ser salvo e guiado moralmente por um imigrante interplanetário. Embora seu lado Clark Kent seja pouco explorado (um dos pontos baixos do filme), como Superman, ele abraça a ingenuidade e o poder de maneira convincente, ainda mais quando interage com a jornalista Lois Lane (Rachel Brosnahan).

Brosnahan e Corenswet têm ótima química em tela, tanto na discordância ao modo de agir do Super como na relação amorosa, elemento que faltou nos filmes sem tesão de Zack Snyder. A Lois Lane de Brosnaham é sagaz, inteligente, e, embora guarde características arrogantes da personagem das HQs, mostra trabalhar bem em equipe. A cena de diálogo na sala com Clark Kent se sujeitando a ser entrevistado como Superman é ótima, refletindo bem a habilidade de James Gunn como diretor e roteirista que se preocupa em desnudar personagens sem parecer pretensioso.

Toda a trama passa pelo ressentimento de Lex Luthor (Nicholas Hoult). Não suportando o excesso de atenção recebida pelo kryptoniano, ele manipula políticos e abre portais dimensionais, tudo para poder derrubar sua nêmesis alienígena. Inteligente e genial, mas cego de ódio, ele é uma ótima e crível ameaça ao protagonista, a qual julga apenas um punhado de músculos.

As cenas de batalhas funcionam e divertem. Vez ou outra há uma bagunça na edição, mas nada que comprometa a experiência. Nem mesmo quando em um lapso de tempo os personagens ficam parecendo bonecos de borracha nas cenas de voo, é suficiente para distrair o engajamento da história. A escala é grande, mas não tão grandiosa e descontrolada como visto em “O Homem de Aço”, o que evita ter que enxertar o filme com explicações sobre os danos colaterais, aspecto levantado em reportagens exibidas nas TVs.

De todos os coadjuvantes heróicos, quem mais se destaca é o Senhor Incrível. Sem precisar afirmar, ele apenas mostra que é um dos homens mais inteligentes daquele universo. A utilização de seus poderes com as esferas T, assim como suas habilidades marciais fazem parte das boas sequências de “Superman”. E não, apesar do número de personagens, James Gunn consegue escapar da armadilha de deixar o filme excessivamente inchado. Não que não fosse esperado para um cineasta que se especializou em comandar produções onde equipes são as guias da linha narrativa.

“Superman” de James Gunn esquenta o coração, abraça seu lado bobo sem ser vazio e lembra que adaptações de quadrinhos são feitas para se divertir e também sonhar.

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Última atualização em: 20 de agosto de 2025 às 21:04

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