AZIRA’I, escrito por Zahy Tentehar e Duda Rios e interpretado por Zahy, chega a Belo Horizonte para 3 apresentações no Sesc Palladium, sexta, dia 03 de outubro, às 20h e sábado, dia 4 de outubro, com sessões às 16h30 e às 20h. O solo autobiográfico trata da relação entre Zahy e sua mãe, Azira’i, a primeira mulher pajé da reserva indígena de Cana Brava, no Maranhão, onde ambas nasceram. O trabalho, dirigido por Denise Stutz e Duda Rios e produzido pela Sarau Cultura Brasileira, recebeu Prêmios Shell nas categorias de melhor iluminação e melhor atriz. Com isso, Zahy se tornou a primeira artista indígena a ganhar um prêmio de teatro nesta categoria. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla com valores a partir de 25 reais.
O espetáculo é apresentado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Cultural, que promove a cultura brasileira como força transformadora. Azira’i celebra a memória, a tradição e a identidade indígena, valores que se alinham ao compromisso da Petrobras de apoiar iniciativas que impulsionam a cultura como motor de transformação e inclusão. Juntos, espetáculo e programa dão visibilidade a uma narrativa indígena única, ressaltando tradição e história que emocionam, inspiram e transformam.
Musical de memórias
Azira’i foi uma mulher muito sábia e herdeira de saberes ancestrais, com vasto conhecimento sobre o mundo espiritual. Como pajé suprema, ela usava três ferramentas tecnológicas para curar: as plantas, a mão e o canto. Ao gerar e criar a filha nesta mesma aldeia, deixou para ela seu legado espiritual.
Ao longo da jornada como artista, Zahy fez do canto uma de suas expressões, que pode ser visto no espetáculo, em que ela canta lamentos ensinados por sua mãe e canções originais compostas por ela com Duda Rios, sob a direção musical de Elísio Freitas, produtor responsável pelo premiado álbum ‘Nordeste Ficção’, de Juliana Linhares, que também divide a autoria de algumas composições com a atriz e o diretor.
É neste verdadeiro ‘musical de memórias’ que se apresentam Azira’i e Zahy, mãe e filha, mulheres nucleares, distintas, diversas e espelhadas: “Sou a filha caçula da minha mãe. A nossa relação, como muitas de nossos brasis, foi diversa: cheia de semelhanças e diferenças, com muitos afetos e composições importantes para nossa trajetória. A presença de minha mãe é tão viva, que a nossa relação se faz continuamente importante. Quando pensei em trazê-la ao teatro, não foi para falar apenas dos meus sentimentos, foi para dialogarmos com nossos reflexos enquanto sujeitos coletivos. Gosto de nos ver, humanos, como espelhos, pois nossas histórias se entrelaçam e se compõem”, analisa Zahy.
Azira’i faleceu em 2021, ao longo do processo de criação da montagem, que começa em 2019, quando Zahy e Duda Rios se conhecem no elenco da montagem de ‘Macunaíma’, dirigida por Bia Lessa e encenada pela companhia Barca dos Corações Partidos, também um projeto da Sarau. Nas conversas de camarim, Duda se surpreendia com o que Zahy contava – ela mesmo se define como uma contadora de histórias – e surgiu ali mesmo a semente de criar um espetáculo a partir daquela vivência em um contexto tão próximo, mas também tão distante.
‘O nosso maior desafio foi selecionar, entre tantas histórias que ela havia me contado ao longo de quatro anos, quais iriam compor a dramaturgia da peça. Às vezes queremos abordar muitas coisas num espetáculo e terminamos perdendo o fio da meada. Mas se temos um eixo narrativo claro, a chance do público se envolver é maior. Nesse aspecto, a chegada de Denise foi fundamental, pois ela entrou no projeto pouco antes do início dos ensaios, com um olhar fresco que nos ajudou a identificar o que era essencial pra nossa narrativa’, conta Duda Rios.
“Fui conhecendo as memórias de Zahy durante os meses de ensaio e fui me impressionando a cada dia pela potência das histórias de vida que ela contava e das narrativas sobre a mãe. Quando recebi o convite do Duda para me juntar a ele na direção desta montagem, tivemos conversas quase infinitas e o trabalho não faria sentido se a gente não escutasse primeiro os desejos de Zahy , afinal, é a história dela e são muitas memórias junto com sua mãe. A partir dessa escuta e dos textos que ela e Duda escreviam começamos a tecer esse musical de memórias. O mundo da Zahy está no seu corpo, no seu canto, na sua presença, nas suas histórias, no que é único nela e que é também o outro”, reflete Denise Stutz.
Serviço
Azira’i – com Zahy Tentehar
Classificação: 12 anos Duração: 80 minutos
Data/horário: 3 e 4 de outubro – sexta, às 20h e sábado, com sessões às 16h30 e às 20h.
Local: Sesc Palladium – Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro/BH
Ingressos: plateia 1 – R$80,00 inteira – R$40,00 meia / plateia 2 – R$25,00 a R$70,00/ plateia 3 – R$25,00 a R$50,00
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/105062/d/313061
Ou bilheteria do teatro
Informações: (31) 3270-8100
