A CAIXA Cultural RJ recebe, a partir do dia 7 de julho (terça-feira), a exposição Toda Árvore Tem Raiz, primeira mostra individual da artista indígena Yacunã Tuxá, que reúne mais de 25 obras em diferentes linguagens e suportes, como pintura, fotografia, poesia, muralismo, escultura, lambe-lambe, vídeo mapping e performance. Depois de um sucesso retumbante em Salvador, a exposição permanece em cartaz no Rio de Janeiro até 20 de setembro, com visitação gratuita.
O projeto contempla a trajetória da artista indígena pertencente ao povo Tuxá de Rodelas, na Bahia, marcada por deslocamentos forçados e resistência. Yacunã Tuxá vem consolidando uma produção que articula ancestralidade, política e imaginação urbana, com passagens por instituições como MASP, Pinacoteca de São Paulo e Muncab.
Os trabalhos expostos estabelecem um diálogo entre o analógico e o digital, propondo uma reflexão sobre memória, identidade, urbanidade e território a partir da metáfora das raízes como guardiãs de histórias coletivas e individuais.
A curadoria, de Naine Terena e Vera Nunes em diálogo com a artista, propõe uma experiência expositiva que combina identidade indígena com contextos culturais dos não-indígenas, criando um percurso imersivo que convida o público a refletir sobre os atravessamentos vividos por corpos indígenas, seus territórios e sua espiritualidade.

A mostra incorpora elementos simbólicos como o rio, a canoa e a Jurema, planta sagrada que atravessa a mostra como eixo espiritual e político. O feminino indígena emerge como estrutura fundamental, afirmando as mulheres como raízes profundas da terra, sustentando histórias de resistência, cuidado e reinvenção.
“Toda Árvore Tem Raiz” é um espaço de afirmação da força irrefreável da memória e do pertencimento. Nas obras em exposição, as mulheres ocupam o centro do território das lembranças. A multiplicidade de linguagem criativa que apresento neste projeto introduz algo simples: é impossível sintetizar a pluralidade subjetiva das existências indígenas”, destaca Yacunã Tuxá. “Entre aldeia e cidade, com as mãos moldando o barro ou segurando uma filmadora, a presença dessas mulheres, ao longo da história, articulou e articula resistências variadas, algumas até invisíveis, mas todas potencialmente criativas e transformadoras”, afirma a artista.
