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“Cordeiros” traz ao palco a força das manifestações populares

(Foto: Renato Mangolin)

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Celebrando a vida, o espetáculo de dança, “Cordeiros” traz ao palco a força das manifestações populares, como as festas do interior e o baile funk, enquanto questiona a predominância da estética eurocêntrica nos espetáculos contemporâneos. Inspirados nos trabalhadores do carnaval baiano, os “cordeiros” simbolizam a divisão literal e simbólica das classes sociais nos desfiles de trio elétrico.

“Cordeiros” promove a afirmação da vida, em contraste com a destruição e a morte. É Xangô que come fogo com a boca. É a liberdade dos pretos para dançar o que quiserem! A proposta também é dar visibilidade a um corpo que historicamente ficou à margem do protagonismo na cena contemporânea, recuperando Brasis que dialogam entre si, reunindo um inventário de afetos, ações e movimentos e escrevendo a dança e os jogos cênicos na memória e nos corpos dos intérpretes.

Algumas das imagens que inspiram a obra são a dança do funk; festas do interior; o Carimbó a ala das baianas de uma escola de samba, em rodopios; o som de fogos de artifício e os jogos de “pular corda” e de “passar debaixo da cordinha”, entre outras.

“Cordeiros” traz ao palco a força das manifestações populares
Foto: Renato Mangolin

“Dançar e celebrar as ficções de uma esquina quente em Jequié [cidade da Bahia onde Tony nasceu]; as estrelas que sempre brilharam na Chácara do Céu [comunidade na Tijuca, Zona Norte do Rio, no complexo do Morro do Borel, onde Alan nasceu e morou], o surdo marcado da Estação Primeira [a Escola de Samba Mangueira], uma dança que pensa em como fazer do esquecimento, da proibição e do extermínio a criação de imaginários para corpos dissidentes e diaspóricos, celebrando a vida através das lembranças dos festejos populares e rituais religiosos” – Palavras do diretor Alan Ferreira.

Cordeiros” traz elementos fortes em texturas e sons. Cordas, lampadinhas, estalinhos e apitos ajudam a criar a santa de “dreadlocks” [estilo de cabelo com tranças longas] que começa a girar… Por fim, para completar essa arena/terreiro/quintal pop de dança, trazemos um imaginário fantasioso e espetacular, como um sonho. De repente, o estalo dos fogos! O vizinho grita: “É tiro!” Tem uma baiana dançando funk, uma Santa de dreads, Omolu de cordas que dança ou desliza com pipoca estourando no chão, e um polvo que brilha no fundo do mar. A ala das baianas gira em rodopios, levantando a poeira dos lugares de antes e de agora. O giro continua, e as cordas de LEDs começam a brilhar, girar e piscar. É noite de São João? É noite de Natal? É Carnaval?

Interpretado, idealizado e criado por Alan Ferreira e Tony Hewerton, Cordeiros resgata memórias, tradições e gestos reprimidos, afirmando e celebrando histórias e heranças culturais que resistem e se reinventam no cotidiano brasileiro, ao mesmo tempo em que questiona a predominância da estética eurocêntrica nas artes contemporâneas.

Serviço

“Cordeiros” de Alan Ferreira e Tony Hewerton no Festival Duos em Cena do Centro Cultural São PauloDias 08 e 09 de agosto – sábado, às 19h30 e domingo, às 18h30

No Centro Cultural São Paulo – Espaço Cênico Ademar Guerra

Rua Vergueiro, 1.000, Liberdade/SP

Telefone: (11) 3397-4002

https://centrocultural.sp.gov.br/festival-duos-em-cena

50 minutos | 14 anos | Gratuito, por ordem de chegada, sujeito à lotação

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Última atualização em: 5 de agosto de 2026 às 11:27

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