Reluzindo um olhar feminino sobre a obra de Jorge Ben Jor, o espetáculo inédito “Magnólia” estreia no Espaço Mezanino do Sesc Copacabana dia 12 de março, às 20h30. Com concepção, direção geral e atuação de Marina Esteves e texto de Lucas Moura, a peça selecionada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar é uma fábula musical livremente inspirada na música “Magnólia” e no álbum “A Tábua de Esmeralda”, que completou 50 anos de seu lançamento em 2025. Com banda ao vivo orquestrada por Dani Nega e Marina Esteves, e colaboração de Kiko Dinucci em um dos arranjos, em sua sinopse mítica a montagem narra a fábula de uma deusa astronauta que vive na dimensão azul e rosa por entre estrelas e cometas até encontrar um cavaleiro negro, São Jorge, que propõe a ela uma missão: descer para a Terra e experimentar o que é ser humana.
Na Terra, depois da queda, ela passa por diversas transformações até se tornar uma mulher negra. Neste corpo, ela experimenta o que é essa vivência, com todos os prazeres da sua existência. Sabendo que “o que está no alto é como o que está embaixo”, a peça faz uma alegoria da evolução da trajetória africana e sua diáspora, e busca retornar para recontá-la de uma nova forma, onde o sonho de uma mulher negra marca o início de tudo. Ficcional, futurista, mas também municiando-se do que é fato histórico na trajetória do negro pelo mundo, o espetáculo tem como proposição estética as integrações das linguagens da dança, Spoken Word (poesia falada), música e a performatividade, em uma perspectiva cênica popular, plural e diversa.

“Falar de Jorge Ben Jor é falar da música negra popular brasileira, que faz parte da minha constituição enquanto cidadã e mulher negra no mundo. E também faz parte da trajetória dos meus pais e de quem veio antes. É um exercício de liberdade ser uma mulher preta e falar sobre este gênio da MPB, da música negra, pela perspectiva feminina. Ser uma mulher negra trazendo essa fábula para os palcos, nessa imaginação radical do que pode ser a história dessa canção, é uma alegria muito grande, é um exercício de liberdade, de expressão, de autonomia enquanto artista”, pontua Marina, deixando claro que o espetáculo não possui formato de homenagem, e nem conta a vida e obra do homenageado, mas invoca as possibilidades de histórias que podem ser criadas a partir do álbum e da canção inspiradora da montagem.
Surrealista, cruzando swing (movimento característico do jazz, onde cada músico na improvisação deve se atentar de maneira individual à sonoridade formada pelo coletivo para não errar ou sair do tom) e ginga (estado de atenção que, na capoeira faz com que a percepção do corpo do outro movimente também o meu corpo), em “A tábua de esmeralda”, Jorge Ben constrói um emblemático álbum de dramaturgia mítica e filosófica. Na estruturação da dramaturgia de “Magnólia”, é buscado implementar rítmica similar à utilizada por Jorge Ben para fazer dançar as palavras com o corpo da atuante, utilizando ora frases melodiosas mais voltadas ao canto, ora frases sincopadas como as utilizadas por Jorge Ben.
SERVIÇO
“Magnólia”
Temporada: 12 de março a 05 de abril de 2026
Horário: Quinta-feira a domingo, às 20h30
– As sessões de sábado contam com interpretação em Libras –
Ingressos: R$ 10 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira)
Link para ingressos: https://www.ingresso.com/evento/magnolia
Local: Sesc Copacabana – Espaço Mezanino
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana
Tel.: (21) 4020-2101
Classificação Indicativa: 14 anos
Duração: 90 minutos
Instagram: @vimvermarina
