Em 1930, cerca de 50 crianças negras foram retiradas de um orfanato no Rio de Janeiro e cresceram escravizadas em uma fazenda no interior de São Paulo. É a partir dessa história real que surge o espetáculo “Desfazenda – Me Enterrem Fora Desse Lugar”, provocando uma reflexão crítica sobre a continuidade da necropolítica que afeta os corpos negros na atualidade. Selecionado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, o espetáculo estreia no Sesc Tijuca na quinta (26), às 19h, permanecendo em cartaz até o dia 22 de março. Com apresentações de quinta a sábado, às 19h. Aos domingos, às 18h, as sessões contam com acessibilidade em Libras. Os ingressos são gratuitos para o público do PCG e variam entre R$15 (meia-entrada) e R$30 (inteira).
Com direção de Roberta Estrela D’Alva, dramaturgia de Lucas Moura e direção musical de Dani Nega, a obra do O Bonde é uma das mais importantes montagens surgidas na cena paulistana durante a pandemia, sendo ganhador na categoria ‘Melhor Espetáculo Virtual de 2021’ no prêmio APCA. Além disso, é sucesso de público e crítica em sua versão presencial e recebeu indicação ao Prêmio Shell de ‘Melhor Dramaturgia’.

Livremente inspirado no documentário “Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil”, “Desfazenda – Me Enterrem Fora Desse Lugar” é um espetáculo minimalista e potente, que aposta na força da atuação e da linguagem. Sem adereços de cena, o espetáculo se constrói a partir de quatro intérpretes em cena e uma caixa preta. Nesse espaço aparentemente vazio, luz e som ajudam a compor a narrativa, como destaca o ator Filipe Celestino, que também é co-fundador do O Bonde: “É um espetáculo que evoca uma energia muito densa. A luz revela, esconde, opina e constrói atmosferas. Já a música dá o pulso da narrativa. A ideia é que o espectador, em muitos momentos, tenha a sensação de estar diante de um quadro ou até mesmo de um filme acontecendo ao vivo.”
Influenciado pelo teatro hip-hop, pelo spoken word e pela cultura das batalhas de poesia, o espetáculo também investe no ritmo, na musicalidade e na presença firme das vozes em cena, transformando som e fala em motores dramatúrgicos. “Os beats acompanham os monólogos e diálogos e dão o pulso da narrativa. É o ritmo da palavra que conduz o espectador por essa experiência”, explica Celestino. A encenação cria uma experiência sensorial que se distancia do teatro tradicional. “É um espetáculo incomum, que desperta curiosidade”, destaca.
SERVIÇO
Data: 26 de fevereiro a 22 de março
Horários: Quintas a sábados, às 19h; Domingos, às 18h
*Sessões de domingo com acessibilidade em Libras
Local: Sesc Tijuca – Teatro II
Endereço: R. Barão de Mesquita, 539 – Tijuca, Rio de Janeiro – RJ
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: Gratuito (PCG), R$15 (meia-entrada), R$21 (habilitado Sesc), R$27 (convênio), R$30 (inteira)
