Quem conta a história do Brasil? Em Brasil em Revista, novo espetáculo do CPC-UMES com direção geral de Alexandre Kavanji, a resposta passa longe dos personagens tradicionalmente celebrados nos livros didáticos. Em vez de reis, imperadores e presidentes, a montagem coloca no centro da cena aqueles que resistiram aos processos de exploração, dominação e exclusão da narrativa oficial ao longo da formação do país.
Com estreia em 2 de julho de 2026 no Cine-Teatro Denoy de Oliveira, na Bela Vista, o espetáculo reúne 16 atores e atrizes e uma banda ao vivo formada por quatro músicos para contar, cantar e dançar mais de cinco séculos de história brasileira. Entre cenas, músicas, humor e crítica política, a obra percorre episódios históricos sob o ponto de vista de personagens frequentemente ausentes da narrativa oficial.
“Partimos sempre do ponto de vista da resistência”, explica a co-dramaturga e assistente de direção Rebeca Braia. “São histórias que muitas vezes não aparecem quando aprendemos sobre a formação do país. A gente vai mostrando essas lutas e, ao mesmo tempo, a construção da cultura popular brasileira, porque entendemos que resistência e cultura caminham juntas.”
Ao longo de oito quadros, o espetáculo passa por momentos históricos diversos. Em vez de Pedro Álvares Cabral e Pero Vaz de Caminha como heróis do chamado descobrimento, a cena enfatiza a invasão colonial e seus desdobramentos. Na resistência à ocupação holandesa, ganham destaque as mulheres de Tejucopapo, povoado pernambucano que, segundo registros históricos, expulsaram invasores holandeses no século XVII. Na Abolição, a voz principal é a do escritor e ativista José do Patrocínio, e não a da princesa Isabel.
“O foco está em personagens pouco lembrados, mas fundamentais para entender o Brasil”, afirma Alexandre Kavanji. “São histórias de gente comum que resistiu e lutou. É uma perspectiva diferente daquela que normalmente é contada.”

A encenação utiliza referências do teatro de revista brasileiro, da comédia popular, da commedia dell’arte e do teatro épico-dialético de Bertolt Brecht. O resultado é uma montagem que dialoga diretamente com o público, alternando sátira, narração, música e cenas históricas.
A música ocupa papel central na encenação. Mais do que acompanhar a ação, as canções integram a própria construção dramatúrgica. O repertório reúne cerca de 25 números musicais inspirados em manifestações da cultura popular brasileira, como maracatu, samba, aboio, xote, marchinha de carnaval e bumba meu boi.
As composições são, em sua maioria, assinadas pelo maestro e compositor Marcus Vinícius de Andrade, figura histórica ligada ao Movimento de Cultura Popular do Recife e ao Centro Popular de Cultura. A direção musical é de Léo Nascimento.
Serviço
Brasil em Revista
Duração: 120 minutos | Classificação indicativa: 14 anos
Local: Cine-Teatro Denoy de Oliveira – Rua Rui Barbosa, 323 – Bela Vista – São Paulo
Temporada: de 2 de julho a 12 de setembro de 2026
Quintas e sextas, às 19h e sábados às 20h
Entrada gratuita – Reserva e retirada de ingressos: Os ingressos serão distribuídos uma hora antes do início da peça; as reservas podem ser feitas pelo telefone (11) 3289-7477, mas precisam ser retiradas com até 30 minutos antes do início do espetáculo, depois disso perdem a validade.
