Buscando discutir o legado de Hamlet, de William Shakespeare, e sua influência até os dias de hoje, o espetáculo BLACK MACHINE propõe um encontro do personagem do dramaturgo inglês com a Ofélia de Heiner Muller, da obra Hamlet Machine (1972). Contemplada na 20ª edição do Prêmio Zé Renato – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, a peça estreia no dia 11 de setembro, às 20h, na Casa do Povo, onde realiza dez apresentações, até o dia 28 de setembro. Depois, segue para mais 10 sessões na Casa Farofa (Rua Treze de Maio, 240, Bela Vista, São Paulo).
Com dramaturgia de Dione Carlos, Fernando Lufer e Eugênio Lima, o trabalho é dividido em três partes. A ideia é promover um embate radical entre esses dois grandes cânones do teatro ocidental, aproveitando para confrontar temas como gênero, raça, necropolítica, masculinidade, dor e desejo.
“Para mim, o texto é uma discussão de gênero com pitadas de melodrama”, conta Dione. E, para garantir o caráter atemporal da obra, os dois personagens centrais são pós-coloniais. Enquanto Hamlet é atravessado por vozes como as de Frantz Fanon, Jean-Michel Basquiat, Aimé Césaire e Mano Brown, Ofélia é inspirada por nomes como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro e Erykah Badu.
“A grande brincadeira de Black Machine é que, na verdade, os personagens clássicos estão tentando ser atores. Só que eles “incorporam” em corpos negros em pleno século 21 e nós estamos investigando quais seriam as implicações disso”, comenta Eugênio.

Sobre a encenação
Durante a encenação, que se alterna entre delírio, manifesto e performance, Ofélia desafia Hamlet a assumir outro papel. “Pensamos nisso porque há 400 anos ele só fala dele mesmo. Nesse ponto da narrativa, Fanon ganha mais destaque, desdizendo tudo o que foi dito antes”, explica Lima.
Por apresentar ao público um embate que atravessa eras, o diretor Eugênio Lima, define a peça como um experimento polifônico. Em meio a provocações filosóficas e referências políticas, os personagens expõem as ruínas do patriarcado enquanto constroem suas identidades.
“Fato é que a população negra nem sempre é vista como ‘ser’ e, talvez, tudo que a gente mais queira seja poder não ser mesmo. Assim, abre-se um mundo de possibilidades. Não queremos nos limitar: por que uma mulher branca pode dizer que é apenas uma mulher e uma mulher negra sempre deve se definir como mulher negra? Da mesma forma, não quero fazer teatro negro, quero fazer teatro”, defende Eugênio.
A montagem segue a estética do audiovisual expandindo, com destaque para a música constante e a presença de uma videografia projetada dividida em três telas em frequente diálogo com as dramaturgias sonora e textual. Em cena, Fernando Lufer e Marina Esteves performam seus textos flertando com a linguagem do spoken word em diversos momentos.
SERVIÇO
Black Machine
Duração: 95 minutos | Classificação: 16 anos
CASA DO POVO
Data: 11 de setembro a 28 de setembro*, de quinta a sábado, às 20h; com exceção do domingo dia 28/09, às 18h.
Endereço: R. Três Rios, 252 – 2º andar – Bom Retiro
Ingresso: GRATUITO
Telefone: (11) 95309-4766
Instagram: @_casadopovo
Acessibilidade: Libras dias 19 e 26/09
CASA FAROFA
Data: de 01 de outubro a 12 de outubro, de quinta a sábado, às 20h; domingos às 18h
* quarta dia 01 de outubro às 20h.
** sábados dia 04 e 11 de outubro sessões extras, às 18h
Endereço: R. Treze de Maio, 240 – Bela Vista
Ingresso: GRATUITO
