Reconhecido por sua performance no espetáculo Poesia do Samba, o ator Lucas Sampaio vive um momento marcante em sua trajetória. Integrante do Complexo Negra Palavra, ele foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Ator, um dos reconhecimentos mais importantes da cena teatral brasileira.
Em cena, Lucas canta, dança, atua e toca percussão, articulando música, memória e identidade negra em um trabalho que dialoga diretamente com sua formação artística. Para o ator, o espetáculo também simboliza um momento de amadurecimento do coletivo e de reencontro com suas próprias origens. “Foi como revisitar o quintal de casa”, afirma. Depois de temporadas de sucesso, “Negra Palavra Poesia do Samba” está atualmente em circulação pelos teatros Firjan Sesi do Rio de Janeiro.
O trabalho com o Complexo Negra Palavra começou em 2019, com o espetáculo “Negra Palavra: Solano Trindade”, que marcou sua estreia profissional e o início de uma parceria artística que se consolidou ao longo dos últimos anos. Desde então, os convites não param de aparecer. Trabalhou nas produções “Guasu”, “És, tu Brasil”, “Amor de Baile”, “Pelada: a hora da gaymada”, entre outras. Também assinou sua primeira direção com “Solaninho: uma viagem com o poeta do povo”. Curiosamente, todas as montagens indicadas ou vencedoras de prêmios. “Eu estou em um momento em que o teatro está me abraçando firme e forte, dizendo ‘fique tranquilo, continue aqui comigo’. Estou abraçando e me deixando ser abraçado pelo teatro”, comenta.

Mais do que celebrar a indicação, o ator a interpreta como gesto simbólico em um campo ainda marcado por desigualdades. “Eu me considero um ator de teatro porque foi ele que me trouxe até aqui com dignidade, e sou muito grato também pelo simbolismo de ter sido indicado com o Negra Palavra, porque foi onde eu comecei”, diz.
Em um cenário onde artistas de palco frequentemente enfrentam desvalorização, seja financeira, seja no reconhecimento público, o prêmio se torna uma afirmação de permanência. “A gente ainda é, muitas vezes, colocado à margem em relação aos artistas do audiovisual. Às vezes parece que é uma virada de chave chegar no audiovisual, mas eu não acredito que eu esteja no teatro para chegar em outro lugar. Ainda que eu queira, sim, me experimentar em outras linguagens. Eu penso que o teatro me deu muita régua e compasso pra chegar até aqui, então essas flores, esse abraço, que são essas indicações e prêmios, são muito importantes porque valorizam nossa trajetória”, revela.
Em breve, Lucas estreia um novo projeto, desta vez assinando como diretor geral, o espetáculo cênico-musical “Pura Beleza Jazz”, concebido e interpretado por Raphael Elias, com previsão para final de abril na Sala Cecília Meirelles.
Para o futuro, o ator deseja conquistar outros sonhos: integrar o elenco de um musical; se dedicar a uma cuidadosa preparação de personagem para o cinema, novela ou série, e fazer com que seu trabalho chegue a pessoas comuns, como sua tia, primos e avós, segundo ele “pessoas pé no chão que chegam do trabalho e ligam a TV para se distrair”. Mas principalmente, Lucas Sampaio sonha que o Complexo Negra Palavra prospere ainda mais, conseguindo uma sede e fomento para realizar suas atividades.
