No começo do século 20, uma mulher negra morre nas ruas da capital paulista e não é sepultada. Seu corpo embalsamado fica exposto como curiosidade científica durante trinta anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Para honrar a sua memória, a Cia do Pássaro volta em cartaz com o espetáculo Jacinta – Você Só Morre Quando Dizem Seu Nome Pela Última Vez, que faz uma curta temporada gratuita na sede do grupo (R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú, São Paulo/ SP), até o dia 29 de março de 2026, com sessões aos sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Não haverá sessão no dia 21/03 (sábado). Haverá sessão extra no dia 29/03 (domingo) às 15h.
Escrita e dirigida por Dawton Abranches, a peça é baseada no caso real de Jacinta Maria de Santana, mulher negra brasileira que, após sua morte, teve o corpo embalsamado e exposto como curiosidade científica, sendo utilizado em trotes estudantis por quase trinta anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na cidade de São Paulo. Em cena, a atriz Gislaine Nascimento e o ator Alessandro Marba são acompanhados pela musicista Camila Silva, que conduz a trilha sonora no cavaquinho, remetendo ao universo do samba.
O espetáculo integra o projeto “Trilogia do Resgate”, da Companhia do Pássaro, que pretende resgatar do apagamento personalidades pretas históricas com trajetórias emblemáticas no Brasil.

Jacinta Maria de Santana, mesmo se tornando vítima das mais diversas violações após a morte, permanecia praticamente anônima até 2021, quando a historiadora e pesquisadora Suzane Jardim leu sobre o caso em um jornal de 1929. O autor da ideia e execução do embalsamamento foi o professor Amâncio de Carvalho, da área de medicina legal da USP. Diferente de Jacinta, que permaneceu desconhecida por décadas, ele virou nome de rua da Vila Mariana, o segundo bairro mais branco da capital paulista, de acordo com dados do Censo Demográfico do IBGE.
Jacinta era uma mulher pobre e sem ocupação fixa que costumava andar pelas ruas do centro de SP. Um dia, sentiu-se mal e caiu na rua Dutra Rodrigues, a 700 metros da Estação da Luz. Quando sua presença foi comunicada às autoridades, Marcondes Machado, médico legista da Polícia Civil, e Pinheiro Prado, delegado da 1ª Circunscrição, compareceram ao local e deram os encaminhamentos para enviá-la à Santa Casa de Misericórdia. Ela não resistiu e morreu no trajeto.
O cadáver foi deixado aos cuidados de Amâncio, que, de acordo com as informações levantadas por Suzane Jardim, queria aperfeiçoar suas habilidades com embalsamento. Ele já havia deixado o corpo mumificado de uma criança exposto por trinta dias no necrotério da polícia. Foi assim que Jacinta permaneceu exposta na Faculdade de Direito do Largo São Francisco por tanto tempo. Ela só teve direito a um enterro após a morte do médico.
Serviço
JACINTA – VOCÊ SÓ MORRE QUANDO DIZEM SEU NOME PELA ÚLTIMA VEZ
Duração: 90min | Classificação: 14 anos | Acessibilidade: Libras em todas as sessões | O espaço também é acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Temporada: 7 a 29 de março de 2026, com sessões de sábados, às 20h e domingos, às 19h. Não haverá sessão no dia 21/03 (sábado). Haverá sessão extra no dia 29/03 (domingo) às 15h.
Local: Espaço Cia do Pássaro – Voo e Teatro
Endereço: R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú, São Paulo/ SP
Ingresso: Gratuito – Retirar ingressos com 01 hora de antecedência – Lugares Limitados
Telefone: (11) 94151-3055
