“O Irôko, a Pedra e o Sol”, espetáculo pernambucano de teatro que une canto, corpo, dança, música, memória e atualidade, assinada pelo grupo e espaço “O Poste Soluções Luminosas”, do Recife/PE, entra em circulação em Pernambuco pelo projeto “Luz negra: o negro em estado de representação”, que está possibilitando a realização de cinco sessões neste mês de abril. A classificação indicativa é de 16 anos de idade.
A estreia da nova temporada ocorre gratuitamente no dia 11/04 (sábado), no terreiro Ilê Àse Òrìsànlá Tàlábí, no município de Paulista (Região Metropolitana do Recife), às 19h. As apresentações seguintes acontecem no Teatro Hermilo Borba Filho, nos dias 17/04 (sexta-feira) e 18/04 (sábado), ambas às 19h, e no dia 19/04 (domingo), às 17h, no centro do Recife, com os ingressos à venda na internet e custando R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira). Já a conclusão é em Salgueiro (município no Sertão do estado), no dia 25/04 (sábado), no Quilombo Conceição das Crioulas, com entrada gratuita, às 19h.

“O que as pessoas precisam saber antes de assistir ao espetáculo: Irôko fala sobre amor, mas não é qualquer amor. É um amor que enfrenta o preconceito; fala sobre fé, mas não a fé que impõem, e sim a que nasce da ancestralidade; fala sobre violência, mas não só a física, como também a simbólica e cultural; fala sobre apagamento da história, da identidade e da cultura afro-indígena; e fala principalmente sobre resistência. Diante desses fatos, surgiu a necessidade de levar aos palcos um projeto que agregasse valores sociais, históricos e poéticos ao tema”, declara Samuel Santos, responsável também pelo texto, cenário e iluminação.
Destaque-se o elenco, com uma formação toda da negritude, periférica e popular, trazendo para as artes cênicas o recorte de raça, além das pautas de gênero e classe. São 12 pessoas entre mulheres pretas e negras, assim como homens, que atuam, cantam e dançam coletivamente durante duas horas (tempo de duração do espetáculo): Agrinez Melo, Ariel Sobral, Ester Soares, Fernanda Spíndola, Itioko, Jully, Lucas Ferr, Naná Sodré, Pedro Félix, Talles Ribeiro, Thallis Ítalo e Vanise Souza. É importante informar que Ester Soares divide a atuação com Larissa Lira. Toda essa junção fortalece o encontro de tons e vozes.
Também tem destaque a trilha sonora tocada ao vivo, reunindo 15 músicas autorais. Todas as letras têm a autoria do próprio diretor Samuel Santos. Já a criação e a produção da composição musical da trilha (melodia e harmonia) levam a assinatura dos artistas locais Beto Xambá e Thulio Xambá, ambos do grupo pernambucano Bongar (autoral e da cultura popular), composto juntamente com Meme Bongar, PH Xambá e Yngrid da Xambá, que são de Pernambuco e estão como musicistas do espetáculo. A Xambá é uma comunidade que fica no bairro de São Benedito, em Olinda/PE. Nessa nova temporada da peça teatral, o percussionista pernambucano Ninho Brow entra como convidado.
O espetáculo “O Irôko, a Pedra e o Sol“ é baseado na história de uma paciente com HIV, de Itapipoca/CE, sertão do Ceará, em 1990, que foi abandonada pela família no hospital público durante um mês, porém antes de interná-la a vizinhança e os pais em conjunto derrubaram o banheiro que a jovem tinha utilizado, separaram copos e outros objetos e ela foi isolada dentro de um quarto devido ao medo extremo e à desinformação que cercavam a doença na época. O caso ocorreu no período em que o sertão do Ceará ainda tinha pouco acesso às informações sobre as formas de contágio, o que gerava um “terror” social para os pacientes.
Evangelização nos quilombos
Este fato é mais atual. Em 2023, a Revista Agência Pública, referência no jornalismo investigativo do Brasil, publicou uma reportagem com o seguinte título: “Avanço evangélico ameaça religiões afro em quilombos de Pernambuco”. A matéria escrita pela jornalista Géssica Amorim relata histórias de seu Abel e seu Joaquim Firmo, moradores do quilombo Sítio Bredos, no município de Betânia, no Sertão do Moxotó, em Pernambuco, e de dona Maura Maria da Silva (do quilombo São Caetano). De acordo com a publicação, nessas comunidades as pessoas de religiões de matriz africana foram perdendo espaço.
“A reportagem explica como as igrejas evangélicas se multiplicaram dentro dos territórios dos quilombos e afetaram diretamente as religiões de matrizes africanas. Em 2025, por exemplo, a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro) e o Ilê Omolu Oxum (do Rio de Janeiro) lançaram uma pesquisa sobre racismo religioso no Brasil para a realização de um levantamento, entrevistando 255 lideranças religiosas de terreiros em todo o país. 80% confirmou que as pessoas das suas comunidades já tinham sofrido algum tipo de violência, física ou verbal, por racismo religioso”, acrescenta Samuel Santos.
“O Irôko, a Pedra e o Sol” (classificação indicativa: 16 anos de idade) – confira as datas e locais da nova temporada do espetáculo de teatro (agenda de apresentações)
11/04 (sábado): terreiro Ilê Àse Òrìsànlá Tàlábí (Paulista/PE – rua Orobó, nº 257 – bairro Paratibe)
Horário: 19h
Gratuito
17/04 (sexta-feira), 18/04 (sábado): Teatro Hermilo Borba Filho (Recife/PE – Cais do Apolo, nº 142 – centro)
Horário: 19h
Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)
Gratuidade para pessoas travestis, trans e soropositivas
19/04 (domingo): Teatro Hermilo Borba Filho (Recife/PE – Cais do Apolo, nº 142 – centro)
Horário: 17h
Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)
Gratuidade para pessoas travestis, trans e soropositivas
25/04 (sábado): Quilombo Conceição das Crioulas (Salgueiro/PE)
Horário: 19h
Gratuito
