Um conjunto de histórias narradas por mestres, brincantes e representantes de agremiações culturais do Recife passa agora a ganhar formato de série digital voltada ao público infantil. Lançado nesta sexta-feira (17/7), o Podcast Infantil Voltei Recife apresenta 14 episódios gravados em áudio e vídeo que registram saberes ligados às manifestações populares de origem afro-indígena presentes na cidade.
Idealizado pelo jornalista e agente territorial de cultura Salatiel Cícero, em parceria com a produtora, pesquisadora cultural Crisliane Xavier, o projeto foi realizado com incentivo da Secretaria de Cultura, Fundação de Cultura Cidade do Recife e Prefeitura do Recife, por meio do Sistema de Incentivo à Cultura — Fundo de Incentivo à Cultura.
As gravações aconteceram diretamente nas sedes de grupos e pontos de cultura espalhados por bairros como Boa Vista, Afogados, Bongi, São José, Várzea e Vasco da Gama. Ao longo dos episódios, mestres e mestras compartilham experiências relacionadas a tradições populares transmitidas principalmente pela oralidade, reunindo relatos sobre personagens, musicalidades, modos de brincar e formas de organização cultural construídas ao longo das gerações.
Para construir a série, o projeto percorreu diferentes territórios culturais do Recife e realizou registros junto a 14 agremiações e grupos tradicionais, que mantêm vivas práticas culturais transmitidas de geração em geração. Entre eles estão o Bloco das Flores, Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, Bloco Infantil Cupim de Ferro, Ciranda Sant’Ana, Coletivo Artístico Ecopedagógico Boi da Mata, Grupo Cultural Reisado Imperial e Clube Carnavalesco Misto Lenhadores.
O público também vai poder acompanhar as histórias e curiosidades sobre o Maracatu Carnavalesco Almirante do Forte, Troça Carnavalesca Verdureiras de São José, Bloco Carnavalesco Misto Pierrot de São José, Bloco da Saudade, Troça A Burra da Várzea, Grupo Brincadeira Coco de Quinta e a Orquestra de Frevo Mix. Ao reunir essas experiências, o podcast registra não apenas apresentações artísticas, mas modos de vida, memórias coletivas e saberes preservados nos bairros onde essas manifestações nasceram e permanecem ativas.
Ao registrar depoimentos diretamente nos espaços culturais, o projeto constrói um acervo digital que documenta experiências frequentemente ausentes dos registros formais. O material passa a integrar um conjunto de conteúdos disponíveis gratuitamente em plataformas digitais de áudio e vídeo, acompanhado de transcrições acessíveis que ampliam o uso em ambientes educativos e de pesquisa.
