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Gustavo Bonafé, diretor do thriller de ação “Rio de Sangue” revela expectativas e segredos da produção que chega aos cinemas em 16 de abril

Gustavo Bonafé, diretor do thriller de ação "Rio de Sangue" revela expectativas e segredos da produção que chega aos cinemas em 16 de abril

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É sempre bom saber que um filme de gênero está sendo produzido e lançado por cineastas brasileiros. Quer dizer, todo filme pertence a um gênero, mas quando falamos de cinema brasileiro, creio que as pessoas esperam pouco que as coisas sejam diferentes de uma comédia bonachona ou de um drama. Ação e terror, por exemplo, ainda são pouco abraçados por aqui. É na primeira opção que mora “Rio de Sangue”, filme dirigido por Gustavo Bonafé, rodado em Santarém e Alter do Chão, cidades do interior do Pará, com produção da INTRO Pictures e coprodução da Star Original Productions.

Na trama, Giovanna Antonelli, interpreta Patrícia Trindade, uma policial afastada após uma operação fracassada e jurada de morte pelo alto escalão do narcotráfico. Ao lado de Giovanna, Alice Wegmann também protagoniza a história no papel de Luiza, filha de Patrícia. Médica e integrante de uma ONG que atua junto a populações indígenas no Alto Tapajós, a personagem vai para mais uma expedição humanitária na região e o que parecia ser mais uma ação rotineira transforma-se em uma emboscada, e Luiza acaba sendo raptada por garimpeiros. Ao saber do rapto, com o relógio correndo e a vida de sua filha em jogo, Patrícia precisa de toda a sua coragem e experiência para resgatá-la. É uma corrida contra o tempo, uma batalha pela sobrevivência e um teste do amor de uma mãe.

Gustavo conta ao Pretessências da fascinação e dificuldades em filmar em um ambiente muito mais inóspito que um estúdio tradicional ou numa metrópole. “Foi um processo muito rico. A gente aprendeu muito sobre as histórias e os legados locais durante a produção. Eu, particularmente, não tinha muito fundamento sobre aquele lugar, sobre o legado das aldeias, das terras indígenas. Todo esse contato foi essencial para todo o desenvolvimento do filme”, conta.

Gustavo Bonafé, diretor do thriller de ação "Rio de Sangue" revela expectativas e segredos da produção que chega aos cinemas em 16 de abril
Foto: Bárbara Valle

“Rio de Sangue” abraça suas influências internacionais sem medo, mas introjetando um pano de fundo extremamente brasileiro. Se as pitadas de Rambo, Predador e Jason Bourne não escapam ao olhar dos fãs de filme de ação estadunidenses, a Amazônia não é apenas locação, mas um personagem dentro da trama, mas não como um estereótipo para gringo ver, e sim com seus dramas e lutas diárias, como a contaminação por mercúrio e o avanço do garimpo ilegal.

“A principal referência foi ‘Sicário’, de Denis Villeneuve. Porque ele flerta com a ação, mas você não pode nem chamá-lo só de filme de ação — é um filme de suspense. Você fica o tempo inteiro pisando em ovos. Eu queria essa sensação para ‘Rio de Sangue’”, explica o cineasta. “Depois, ‘Rambo’ estava sempre ali. A gente brincava que estava fazendo um “Rambo brasileiro”. Tem aquela cena dela saindo da lama, a morte em cima do cara. A gente falou muito sobre isso desde o início. Quando foi lançado, ‘Rambo’ tratava de uma problemática real da época — aqueles soldados que voltavam da guerra e eram maltratados, não tinham rumo, não pertenciam mais ao país. Era um filme de ação com um baita panorama sociopolítico por trás. E a Patrícia, no nosso filme, também se sente como alguém que não pertence. Então essa camada social sempre foi importante para a gente”.

“Queríamos construir uma decupagem e uma poética que fossem específicas para este filme. Bebemos em referências internacionais, mas sempre com o olhar voltado para o lugar, para a Amazônia. A ideia era trazer algo que dialogasse com o cinema de ação, mas que tivesse uma identidade própria”.

Giovanna Antonelli aparece diferente do que costumamos ver nas novelas. Sem maquiagem, exposta às intempéries do tempo, mais física e preparada. O diretor não esconde a empolgação de ter a atriz como sua protagonista. “Eu pensei nela desde o início. Seria incrível tê-la nessas condições diferentes do que o público acostumou a ver. E o resultado foi tão bom quanto imaginávamos. Ela se entregou e foi peça-chave no resultado final”.

Giovanna Antonelli e Alice Weggman em cena

Gustavo também contou que a personagem se sente meio “fora do corpo”, com constante sentimento de inadequação social. O equilíbrio aparece na figura de seu parceiro, encarnado pelo ator Sérgio Menezes. Os dois acabam se complementando, com o personagem de Menezes sendo a esponja que absorve os rompantes da parceira.

Para construir com respeito e fidelidade toda a produção de “Rio de Sangue”, a produção visitou aldeias, entrou em contato com as lideranças, voltou diversas vezes. A direção de arte também participou desse processo de conhecer o território. “Foi muito, muito gratificante. A maneira como fomos tratados foi especial. Claro que houve dificuldades técnicas — filmar na água, a logística com barcos, as grandes distâncias — mas tudo isso se tornou secundário diante da atmosfera que conquistamos estando lá”, aponta Bonafé.

O diretor conta que a pesquisa envolveu a presença de lideranças importantes, como Daniel Munduruku e a cacica Leusa, lideranças muito respeitadas. O professor Abimael, de Santarém, os ajudou com as traduções do munduruku para o português, a fim de que o trabalho de pesquisa garantisse uma representação legítima do povo Munduruku.

A narração em off usada no filme é de Fidelis Baniwa, que interpreta Mário, um Munduruku não aldeado, que presta serviço aos brancos enquanto se lamenta do distanciamento de seu povo. Maria Silva, preparadora de elenco, foi fundamental para a escolha de Fidelis como esse representante ambíguo do povo indígena. Segundo o diretor, a preparadora encontrou no ator “a doçura e a dureza que o personagem precisava”. “Quando vi as imagens e depois o conheci pessoalmente, tive certeza: ‘Esse é o cara’. Era muito importante para o filme ter atores indígenas na tela, dar essa legitimidade à narrativa”.

Gustavo Bonafé, diretor do thriller de ação "Rio de Sangue" revela expectativas e segredos da produção que chega aos cinemas em 16 de abril
Diretor e elenco | Foto: Bárbara Valle

“Rio de Sangue” consegue fazer com que todos seus personagens sejam de alguma forma interessantes de acompanhar. Do vilão mais pragmático vivido por Antônio Calloni, o Polaco, ao brucutu ameaçador interpretado por Felipe Simas. Ambos com presença que garantem a tensão crescente e as probabilidades de ameaça aos heróis da trama. “O Polaco é o vilão até uma hora que ele não é mais, e outro personagem se mostra ainda mais cruel. Você pensa: ‘Acabou, beleza’. Mas não, o pior está por vir’”.

Para aqueles que ainda viram a cara para produções nacionais, dar chance a “Rio de Sangue” pode ser a chance de se divertir com uma trama consistente e divertida, mesmo tratando de assuntos tão difíceis e reais.

‘“Rio de Sangue’ é um filme que vai fazer as pessoas se apaixonarem, vão grudar na cadeira. Para quem gosta de ação, é um prato cheio. Para quem gosta de boa dramaturgia, também é um prato cheio. Espero que as pessoas gostem. Dia 16 de abril, nos cinemas”, convoca Gustavo Bonafé.

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Última atualização em: 13 de abril de 2026 às 13:36

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