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“A cor da felicidade” é o novo romance da escritora baiana Lília Refle 

Exclusão social marca o livro da escritora baiana, que pretende um libelo político. O lançamento será em agosto no Rio e na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)
“A cor da felicidade” é o novo romance da escritora baiana Lília Refle 

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A  trajetória da protagonista Zulmira, uma menina de 10 anos, nascida em Itamaraju, no sul da Bahia, cuja infância é marcada pela miséria social, ausência de afeto e desejo incessante pelo saber. Diante da negligência materna, ela conhece Afonso Batista — um intelectual forasteiro, 29 anos mais velho que ela — a única figura capaz de lhe oferecer uma janela para a sua busca pelo letramento e sua imensa paixão em “reger vírgulas com maestria”, ensinando-lhe gramática e literatura.  A proximidade entre Zulmira e Afonso Batista levanta, na cidade provinciana, suspeitas de pedofilia que mudam irreversivelmente o destino de ambos. E leva o leitor a refletir sobre os limites entre afeto, moralidade e violência. Esse é o ponto de partida de “A cor da felicidade”, quarto romance da escritora Lília Refle. 

O lançamento pela Editora Patuá será no dia 8 de agosto, às 17h, no Recipiente Porongo, centro cultural em Botafogo, Rio de Janeiro. A autora também fará sessão de autógrafos na Casa Gueto, no dia 23 de julho, às 15h, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Embora não seja uma autobiografia, Lília viveu como Zulmira a miséria social e o desejo profundo pelo conhecimento e escolarização. “Quando se nasce socialmente miserável, as escolhas são feitas nas ausências, não nas oportunidades”, resume. Nascida em Itamaraju, cidade que inspirou a origem da protagonista Zulmira, Lília é filha de mãe semianalfabeta e uma entre 18 irmãos.

“A cor da felicidade” é o novo romance da escritora baiana Lília Refle 

“Vivemos em um país no qual a educação básica é um privilégio de classe. Eu nasci em 1984 e comecei a frequentar a escola em Itamaraju no início da década de 90. Era uma realidade muito dura. A maior parte das crianças não chegava a ingressar em uma escola. Era absurdamente difícil conseguir uma vaga em uma escola pública. Lembro que a minha mãe chegou a dormir na fila do portão da escola por duas noites, para que eu fosse matriculada. E isso, por si só, já era bastante excludente. Pois a maior parte das crianças começava a trabalhar em tempo integral muito cedo. E a educação era vista como “roubo de tempo”. Pois ninguém acreditava em uma ascensão através da educação. Eu tive a sorte de ter tido uma mãe que queria mais do que o seu próprio destino para os filhos. Ela sempre dizia: ‘meus filhos vão aprender a ler e escrever de verdade, não como eu’ ”, conta a autora.

Lília começou a trabalhar aos nove anos e passou na infância episódios de fome extrema. Foi descoberta por um olheiro aos 13 anos, migrou para São Paulo como modelo e, mais tarde, estudou Jornalismo, Moda e Letras. A epígrafe do livro — que sonha com um país em que qualquer pessoa, “independentemente da sua origem social, possa ler, entender e criticar Foucault” — sintetiza o eixo temático da obra: a desigualdade de acesso à educação no Brasil. Na visão da autora, é essa exclusão que leva a protagonista Zulmira a idolatrar Afonso Batista como uma espécie de “deus do saber”, em uma trajetória que a transforma em uma figura incompreendida — “louca, livre e aprisionada”, nas palavras da própria escritora.

Dedicado “a todas as meninas que se viram impostas a viver no campo do dessaber eterno”, A cor da felicidade é, segundo Lília, também um libelo político. Lília afirma esperar que leitoras negras e de origem social pobre reconheçam, na trajetória de Zulmira, a possibilidade de romper com destinos social e racialmente impostos. Já para leitores de outros contextos, o convite é à construção de uma consciência de classe — a capacidade de enxergar a realidade a partir de outras perspectivas.

SERVIÇO:

Lançamento de A cor da felicidade, de Lília Refle


Data: 8 de agosto, às 17h
Local: Recipiente Porongo, centro cultural (Rua Pinheiro Guimarães 34), em Botafogo, Rio de Janeiro

Data: 23 de julho, às 15h

Local: Casa Gueto (Rua Benedito Telmo Coupê, 277 – Antiga Rua Fresca, Centro Histórico, Paraty, RJ) na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

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Última atualização em: 23 de julho de 2026 às 10:59

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