“A mulher que está se refazendo depois de se ver desfeita”. A partir dessa percepção real de gênero, Bell Puã lança o livro “À Mente que Sabe”, pela Editora Letramento/MG e com ilustrações e capa de Clara Moreira. É uma obra de poesias para as mulheres e que ao mesmo tempo faz relação com rios, trazendo a natureza para a leitura como presença do cotidiano, além de reflexões sobre a saúde mental. A classificação indicativa é livre. A autora também prepara uma narração poética da publicação, com a sua voz, ampliando o acesso para o YouTube a partir dos recursos de acessibilidade e do uso de tecnologias digitais.
“Chega se esparramando e num derramamento de séculos. De mulheres que entendem de monstros, constroem castelos com gesso de ferro, pois também entendem sobre se proteger. E muitas vezes se renegam (ou nunca nem tiveram a chance) de ser princesas. Quando um gênero é acostumado a falar por cima a voz de quem acaba falando por baixo se acostuma a calar como pronúncia por isso grita, mulher nossa primeira insurreição é a fala por meio da denúncia”, declara.

Com três capítulos, a sinopse do livro diz: “O caminho da mulher que se refaz é parecido com o de subir um rio. Da foz à nascente, do fim ao nascimento, o fluxo é de muita teimosia e contra a correnteza. Em À Mente que Sabe, Bell Puã faz a tristeza de um término se desenrolar em poesia-sabedoria, compreendida em diferentes etapas. O vício que a mente tem do sofrimento se esvai ao longo do percurso, onde o fluxo das palavras leva à cura que só pode ser encontrada na poesia que há dentro de si mesma”.
Da literatura e natural do Recife, Bell Puã explica sobre a criação e a concretização da ideia. “Surge depois de um término bem difícil, de uma relação tóxica que vivi em minha vida e que me inspirou muito a me refazer como pessoa, poeta e mulher. Consegui entender o feminismo mais na prática mesmo, isso porque conhecia o feminismo dos livros e do que via acontecer com as mulheres ao meu redor. Por meio dessa obra, entendi como as questões do feminino funcionam violentamente no nosso psicológico, então ela trata desse lugar da mulher que se refaz depois de uma relação ruim, com violências do machismo”, conta.
A vivência de estudo da escritora com o meio ambiente e a memória potencializa suas poesias faladas, assim como contribui para a escrita. Vale destacar que ela reúne uma dissertação de mestrado em História Ambiental pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
“A foz, a subida e a nascente são os capítulos. Fala do caminho inverso do rio. Que é ir da foz, onde termina, para a sua nascente, onde começa. Dentro da obra, imagino que é o caminho refeito pela mulher… É ir de um fim, para seu próprio fim e abandono, até o seu começo, que é a sua nascente e a sua criança”, declara.
Com “À Mente que Sabe”, Bell Puã chega a cinco livros lançados. Os títulos das outras obras da carreira literária da poeta são: “É que dei o perdido na razão” (Editora Castanha Mecânica/PE, 2018); “Lutar é Crime” (Editora Letramento/MG, 2019), sendo esse finalista do Prêmio Jabuti de Literatura na categoria Poesia em 2020, de autoria da Câmara Brasileira do Livro (CBL) desde 1959; “Nossa História do Brasil: Pindorama em Poesia” (Editora Penalux/SP, 2024); e “Não há nada como o Mangue” (Editora Pó de Estrelas/PE, 2025), que é infantil.
