No dia 21 de junho de 2026, a obra e o legado de Machado de Assis ganharão as ruas, os palcos e os espaços de reflexão do centro da cidade do Rio de Janeiro. O Museu de Arte do Rio (MAR), localizado na histórica região da Pequena África, sediará o Festival Machado de Assis – um evento gratuito que, ao longo de 12 horas, reunirá atividades literárias, artísticas e formativas para todos os públicos.
A iniciativa é apresentada pela Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e tem realização da Terreiro Produções e da Academia Brasileira de Letras (ABL). Com curadoria assinada pela acadêmica Ana Maria Gonçalves e pelos artistas Felipe Oladélè, Hugo Germano e Muato, o festival aproxima diferentes gerações da produção machadiana por meio de experiências acessíveis, contemporâneas e profundamente conectadas ao território cultural carioca.
A programação propõe uma imersão na vida e na obra do escritor, que foi um dos fundadores da ABL e seu primeiro presidente, ajudando a moldar a literatura brasileira. As atividades incluem uma caminhada literária pelo centro histórico, debates com especialistas e acadêmicos, leituras em microfone aberto, apresentações artísticas e momentos de interação com o público – tudo pensado para reafirmar a atualidade de Machado e sua capacidade de dialogar com questões do presente.

Segundo Ana Maria Gonçalves, a escolha do MAR como palco não é casual: “Machado de Assis sempre falou muito bem da cidade em seus livros. Por isso, é extremamente importante realizar esse festival ali, com uma programação que mistura espaços instagramáveis, quiz literário, shows, mesas com acadêmicos e um baile charme para encerrar. Tudo isso numa tentativa de aproximar sua obra do público, apresentá-la às novas gerações e mostrar o quão atual esse grande escritor ainda é.”
A programação começa às 9h com a Caminhada com o conto ‘Noite de Almirante’, um percurso guiado por lugares históricos ligados à trajetória do autor e à memória cultural da cidade. Ao longo do dia, o público poderá acompanhar apresentações musicais, intervenções artísticas e encontros dedicados à reflexão sobre a permanência da obra machadiana no cenário nacional e internacional.
Entre as atrações, destaca-se a Ocupação Captu, uma ambientação inspirada no século XIX, com móveis e objetos de época que recriam o universo dos romances de Machado. Os visitantes poderão ainda participar de uma ativação fotográfica exclusiva com o filtro “Olhos de Ressaca”, em referência à célebre descrição de Capitu, e levar para casa uma foto personalizada – uma experiência que une literatura, memória e tecnologia de forma afetiva e imersiva.
Rodas de conversa e debates

Um dos pontos altos do festival será o ciclo de mesas de debate e reflexão, entre 14h e 16h, no térreo do MAR. A primeira, intitulada “Machado de Assis: obra, contexto e permanência”, contará com o professor e pesquisador Eduardo de Assis Duarte, sob mediação de Ana Maria Gonçalves. O encontro abordará aspectos centrais da produção machadiana, sua sofisticação literária e sua relevância para a compreensão da sociedade brasileira.
Na sequência, a mesa “Leituras contemporâneas de Machado” promoverá um diálogo entre as acadêmicas Rosiska Darcy de Oliveira, Ana Maria Machado e Lilia Schwarcz, discutindo diferentes interpretações da obra do autor a partir de temas como raça, poder, subjetividade, política, desejo e crítica social – evidenciando a força e a atualidade de seus textos.
A partir das 16h30, o festival abrirá espaço para a participação coletiva com o Microfone Aberto, uma atividade que combina leitura, performance e escuta. Durante duas horas, artistas e público serão convidados a compartilhar experiências a partir da palavra de Machado.
Encerramento com show e baile
Para fechar a programação, o espetáculo cênico-musical Machado Vivo transformará a literatura em experiência sensorial, reunindo música, teatro, performance, poesia e dança em uma celebração contemporânea da obra machadiana. Com direção de Felipe Oladélè, Muato e Hugo Germano, e direção musical de Muato, o show percorre temas como amor, liberdade, raça, poder, desejo, ironia e crítica social, interpretados por Janamô, Marcos Sacramento, Natasha Félix e João Vitor Nascimento, acompanhados por uma banda formada por Gabriel Marinho, Rodrigo Ferreira, Márcio Sorriso e Pedro Carneiro.
Ao longo da apresentação, canções, performances e leituras poéticas dão novas formas e vozes às narrativas de Machado, estabelecendo um diálogo direto com o Brasil contemporâneo. Ao final, o espetáculo se dissolve em uma grande celebração coletiva com um Baile Charme, conduzido pelo dançarino Marcus Azevedo e pelo DJ Bob Reis, encerrando o festival em clima de encontro, arte e convivência.
Idealizado pela escritora e imortal Ana Maria Gonçalves, o Festival Machado de Assis é realizado pela Academia Brasileira de Letras e pela Terreiro Produções, com apoio do Itaú Cultural e patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Ao transformar a literatura em experiência coletiva e ocupar um dos espaços culturais mais emblemáticos da cidade, o festival reafirma a importância de Machado para a cultura brasileira e convida o público a redescobrir sua obra sob novos olhares, fortalecendo o diálogo entre patrimônio, educação, arte e cidadania.
