Em 2026, as 97 bibliotecas comunitárias da Vaga Lume, presentes em 23 municípios dos nove estados da região Norte, voltam a receber caixas que carregam muito mais do que livros. O novo acervo que chega às comunidades da Amazônia Legal representa a ampliação de horizontes para milhares de crianças e adolescentes, e reafirma o compromisso com a leitura como direito, pertencimento e transformação.
A curadoria do novo acervo foi conduzida por uma equipe especializada em literatura infantojuvenil, reconhecida como referência no campo. O processo teve início com a pesquisa de mais de 500 obras, todas lidas e avaliadas com base em critérios literários, estéticos e culturais, considerando qualidade, adequação às diferentes faixas etárias e relevância temática. A esse olhar técnico somou-se a escuta qualificada do território: os educadores da Vaga Lume, que acompanham as bibliotecas por meio de monitoramentos contínuos, contribuíram trazendo as percepções e demandas de educadores regionais, comunitários e pessoas voluntárias, além das próprias crianças e adolescentes. Essa articulação entre especialização e escuta garantiu uma seleção consistente e conectada às realidades locais.
O resultado é um mosaico vibrante de títulos que reúne narrativas tradicionais da floresta e histórias de diversas regiões do Brasil e do mundo, com textos de autores nacionais e estrangeiros apresentados em múltiplas linguagens e formatos — como poesia, livros-imagem, histórias em quadrinhos, obras apenas em texto e publicações artesanais e independentes —, contemplando desde livros para a primeira infância, contemplando bebês, crianças e livros para as juventudes com títulos informativos e de não ficção, abrindo espaço para temas urgentes, assuntos sensíveis, narrativas bem-humoradas e múltiplas representatividades.
Essa pluralidade tem como base o conceito de bibliodiversidade na seleção dos livros. A proposta é que os títulos eleitos possam permitir que as crianças e as juventudes encontrem espelhos, ou seja, narrativas que possam se perceberem, se identificarem e serem provocados pelo estranhamento necessário para olharem para si, para os outros e para tudo que lhe cercam. Quando garantimos a diversidade de vozes e experiências nos livros, ampliamos não apenas os repertórios à compreensão sobre o mundo. A leitura é uma das estratégias que permite o encontro entre culturas, saberes, fazeres através de seu acesso”, diz Beto Silva, especialista em formação de leitores, promotores de leitura e líder em metodologia da Vaga Lume.
Confira, a seguir, os 15 destaques do novo acervo de livros infantojuvenis entregue às bibliotecas da Vaga Lume, uma seleção pensada para encantar crianças e adolescentes e inspirar momentos de leitura em família.
A Mãe da Mata

(Ed. Caixote), de Maickson Serrão com ilustrações de Chico Santos. A obra apresenta a Curupira, um dos seres encantados mais importantes da Amazônia, sob a ótica dos povos ribeirinhos. O livro ensina a importância de pedir permissão ao entrar na floresta e o respeito aos seus mistérios. Natural da Ilha do Marajó, o autor traz a vivência real das comunidades tradicionais para a narrativa, fugindo de estereótipos escolares comuns sobre o folclore.
Abecedário Poético da Floresta

(Ed. Melhoramentos), de Tiago Hakiy com ilustrações de Graça Lima. O livro é um alfabeto que conduz o leitor por um passeio sensorial pela Amazônia,em que cada letra apresenta um elemento da fauna, flora ou costumes indígenas, descritos com lirismo e cores vibrantes. Hakiy é um premiado autor de origem Sateré-Mawé e o livro recebeu o selo Altamente Recomendável da FNLIJ.
Contos de Fada Japoneses

(Ed. Baião), de Yei Theodora Ozaki – Tradução de diversos. Uma coletânea clássica que traz lendas tradicionais do Japão, como o menino Momotaro e o cortador de bambu, apresentando heróis, ogros e dragões sob uma estética oriental. O livro é uma edição de referência para o resgate do folclore nipônico no Brasil e recebeu o selo Altamente Recomendável da FNLIJ na categoria Criança.
Histórias de Muitos Mundos: Narrativas e Crenças Indígenas

(Ed. Moderna), de Yaguarê Yamã com Ilustrações de Mauricio Negro. Vencedor do Prêmio Biblioteca Nacional (2025), o livro reúne mitos, rituais e visões de mundo de diferentes povos indígenas brasileiros (como os Maraguá), abordando temas como espiritualidade, a origem dos rios e a relação com os animais.
Infâncias e Leituras: Presenças Negras e Indígenas na Literatura Infantil

(Ed. Pulo do Gato), de Márcia Licá e outros autores. O livro é uma obra, teórica e reflexiva, que reúne artigos de pesquisadores e ativistas sobre a importância da representatividade étnico-racial nos livros para crianças e na formação de mediadores de leitura.
Masuwik – Memórias Indígenas

(Ed. Callis), de Cristino Wapichana com ilustrações de Anabella López. O livro apresenta as memórias de infância de Masuwik, um menino do povo Wapichana. Através de seus olhos, conhecemos o cotidiano na aldeia, o aprendizado com os mais velhos e a profunda conexão espiritual com a floresta e os animais. Este livro é um importante registro de protagonismo indígena, apresentando a cultura Wapichana de forma autêntica e sensível.
Meu Nome é Malala – Edição Cartonada

(Ed. Companhia das Letrinhas), de Malala Yousafzai com ilustrações de Mariam Quraishi. Adaptado para crianças bem pequenas, o livro conta a história da ativista paquistanesa de forma simplificada, focando em sua coragem e no amor pelos livros e pela escola. A edição cartonada é ideal para bebês e crianças em fase de alfabetização, trazendo a mensagem da Nobel da Paz de forma acessível.
Nadar Voar

(Ed. ÔZé Editora), de João Luiz Guimarães, com ilustrações de Anna Cunha. Uma narrativa poética, de autoria de dois grandes nomes premiados da literatura infantil brasileira (Jabuti), que fala sobre as inversões da vida e o poder do imaginário.
O Mundo é um Ovo

(Jujuba Editora), de Renato Moriconi. Com uma narrativa visual inteligente e bem-humorada, o livro brinca com as formas, estimulando a percepção e o raciocínio lógico das crianças. O que parece ser apenas um ovo se transforma em diversos objetos e personagens através do olhar do leitor, culminando em uma surpresa criativa.
O Sapo e o Macaco

(Ed. Biruta), de Banda Fera Neném com ilustrações de Thais Beltrame. Baseado em uma canção da banda infantil Fera Neném, o livro narra os desejos opostos de um macaco que quer nadar e um sapo que quer subir em árvores. É uma história lúdica sobre amizade e o desejo de viver o inusitado, que faz parte de um projeto de transmídia, unindo a música popular infantil ao livro ilustrado.
O Vício dos Livros

(Ed. Companhia das Letras / Dublinense), de Afonso Cruz. O livro é uma celebração do ato de ler. Através de crônicas e ensaios curtos, o premiado autor português narra episódios curiosos da história da literatura e reflete sobre como os livros mudam nossa biografia.
Pássaro Preto

(Ed. Companhia das Letrinhas), de Suzy Lee. Neste livro, a autora vencedora do Prêmio Hans Christian Andersen 2022 (o Nobel da literatura infantil), traz a história de uma menina que lida com a tristeza de uma briga familiar através da imaginação. Ela encontra um enorme pássaro preto que a leva para um voo libertador sobre o mar, ajudando-a a processar suas emoções.
Será que a Terra Sente?

(Ed. Pequena Zahar), de Marc Majewski. Através de perguntas simples e pinturas de grande impacto visual, ideais para abordar temas sobre ecologia para crianças da primeira infância, o autor convida os pequenos a pensarem sobre os sentimentos do planeta: a Terra sente o calor? Sente quando a maltratamos? É um apelo poético à consciência ambiental.
Terra

(Ed. Companhia das Letrinhas) de Carol Fernandes e Yuri de Francco. Um livro emocionante que celebra a cultura rural brasileira, o conhecimento das mulheres negras e a ligação ancestral com o solo, a partir de temas sobre herança, raízes e a sabedoria que passa de geração em geração.
Você se lembra?

(Ed. Pequena Zahar), de Sydney Smith. Em uma noite de mudança para um novo apartamento, mãe e filho compartilham lembranças queridas. O livro explora como as memórias nos dão segurança e luz em momentos de transição e incerteza.
