No domingo, dia 26 de julho, será realizada uma edição especial do Festival Cartografias de Bamba com Samburbano, em grande celebração pública após o reconhecimento oficial da Rua João de Barros como Rua do Samba da Barra Funda, fruto da articulação entre sociedade civil, movimentos culturais e poder público. A proposta foi acatada pela Bancada Feminista, que apresentou um projeto de lei para a mudança do nome da rua publicada em Diário Oficial, contribuindo para a preservação da memória da cidade. A partir das 11h, estão programadas atividades diversas como uma caminhada histórica pelo território, lavagem da rua pelas baianas, rodas de samba com a Velha Guarda Musical do Camisa Verde e Branco, Samburbano, e Batucada Nossa Tradição, feira de economia criativa, e entrega de flâmulas em reconhecimento às contribuições pela cultura do samba e território, entre outras ações previstas no roteiro.
A região da Barra Funda possui um rastro histórico de cultura do samba, organização coletiva e legado negro que é inegável. Foi ali que surgiu o Largo da Banana, considerado o berço do samba paulistano, e onde nasceu, em 1914, o primeiro cordão carnavalesco da cidade fundado por Dionísio Barbosa: o Cordão da Barra Funda, que em 1953 ressurge como Cordão Carnavalesco Camisa Verde e Branco, que posteriormente deu origem a escola de Samba Camisa Verde e Branco. Até os dias atuais, a população negra do território enfrenta ataques promovidos pela gentrificação e violência, que já afastaram várias famílias que compunham a base da formação cultural do bairro da Barra Funda, e que hoje, por meio da organização coletiva das comunidades do samba, resistem buscando por reconexão, reconhecimento e pela manutenção de seus legados históricos.
A família Tobias está entre essas “famílias baluarte” que, desde 1953, sob a liderança do patriarca e Cardeal do Samba, Seu Inocêncio Tobias, atuou fortemente para a manutenção da cultura do samba. Seu filho, Carlos Alberto Tobias (Tuba), participou da consolidação da Rua João de Barros como Rua do Samba ainda na década de 80, estando à frente do movimento cultural de rua, com artistas referência como Alcione, Jorge Ben, Beth Carvalho, Roberto Ribeiro e dona Ivone Lara, mas também fortalecendo a comunidade por meio do espaço cedido a novos compositores e “canjas” de músicos do território.
Programação
Às 11h, haverá uma caminhada histórica realizada pelo Guia Negro, plataforma de afroturismo responsável por promover experiências turísticas em diferentes cidades brasileiras, com roteiro incluino as ruas do bairro operário considerado o berço do samba em São Paulo, para resgate das histórias negras e seus apagamentos.
No período da tarde, o público poderá acompanhar a lavagem e a defumação da Rua do Samba, com as baianas e autoridades religiosas do território, aproveitando ainda a feira de economia criativa — alimentos, bebidas e produtos diversos — montada por expositores locais, empreendedores de vários setores de artesanato.
A partir das 15h, haverá a roda de samba com a Velha Guarda Musical do Camisa Verde e Branco, seguida pela entrega de flâmulas em deferência a pessoas que apoiam a iniciativa e personalidades que fazem parte do arcabouço histórico e social do samba. Nathália Oliveira e Carlos Alberto ‘Xará’ são os mestres de cerimônia. Mandatos parlamentares parceiros também estarão presentes.
A partir das 17h15, o projeto Samburbano, comandado pela sambista Roberta Oliveira, promoverá a roda de samba aberta ao público e com participação especial de Symone Tobias e convidados. Será lançado Cartilha, primeiro single de Párcio Anselmo, músico, sambista e compositor, ativo na cena cultural do samba do território. Já à noite, às 21h, a Batucada Nossa Tradição, encerrará a celebração.
