“Impecáveis”, “inesquecível” e “melhor show da minha vida” foram algumas das frases que ouvi na saída da Farmasi Arena, casa de espetáculos carioca que recebeu a estreia da turnê “Barão Vermelho – Encontro”. Reunindo a formação clássica, a série de apresentações ainda passará por São Paulo (23/05, no Allianz Parque), Porto Alegre (27/06, no Auditório Araújo Vianna), Florianópolis (08/08, na Arena Opus), Curitiba (29/08, no Jockey Club do Paraná), encerrando a jornada em Belo Horizonte, no dia 26/09, no Befly Hall.
O show “O Encontro” surgiu a partir de um convite da produtora 30e e reúne a formação clássica do Barão Vermelho, com Roberto Frejat (guitarra e vocal), Guto Goffi (bateria), Maurício Barros (teclados) e Dé Palmeira (baixo). Ainda contam com a presença do guitarrista Fernando Magalhães, que ingressou na banda em 1985, e do filho de Frejat, que também faz parte da banda de apoio do quarteto.
No Rio de Janeiro, o grupo incendiou o público com o rock que sempre soube fazer e que já estava fazendo falta. Esse movimento, aliás, não é isolado. As turnês de reencontro têm ganhado força no público brasileiro, como aconteceu com os Titãs, em sua formação clássica, e com o Kid Abelha, que também se prepara para voltar aos palcos.
No caso do Barão Vermelho, o reencontro com Frejat trouxe de volta uma energia que, na fase mais recente, parecia não alcançar o mesmo nível. A formação com Rodrigo Suricato é boa, mas o retorno de Frejat deixa evidente o quanto sua presença, sua história e interpretação fazem diferença, reafirmando seu papel como um cantor de alto nível dentro da banda.

O Barão, antes desta turnê, seguia na ativa com Guto Goffi e Maurício Barros, da formação original, ao lado de Fernando Magalhães, e foi justamente por conta desse reencontro que a turnê “Do Tamanho da Vida” deles está em pausa.
E quem diria que uma banda que começou gravando uma fita demo e sem vocalista tivesse uma estrada tão longeva na música? Como Ezequiel Neves, produtor e jornalista que foi fundamental na trajetória da banda, declarou: “rock puro e escrachado”. A banda trouxe a rebeldia exata que era o retrato fiel de liberdade e ousadia, que era, de fato, a cara dos anos 80.
O show ainda traz a participação especial de Ney Matogrosso, o que faz reforçar ainda mais que tudo foi realizado também para ser uma homenagem a Cazuza. Cazuza saiu do Barão Vermelho em 1985 para seguir carreira solo e faleceu 5 anos depois, em 1990, deixando um repertório riquíssimo de músicas que até hoje são as melhores letras já compostas na música brasileira.
Um dos grandes momentos do show é a homenagem a Cazuza, conduzida em um dueto com Frejat.
Por falar em seleção musical, o repertório vai além dos clássicos óbvios e abre espaço para faixas “lado B”, nas quais resgatam, inclusive, canções do primeiro trabalho do grupo com Frejat nos vocais. De Declare Guerra (1986) — disco que acabou ficando renegado pelo próprio artista por trazer um vocalista ainda inexperiente como frontman — são trazidas ao show a faixa-título e “Torre de Babel”.

Um passeio por sucessos fora dos anos 80, momento que ajudou a consolidar a banda e a proporcionar ao Barão Vermelho uma cara também romântica, como “Vem Quente” (versão de “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto”), “Amor Meu Grande Amor” e “Por Você”. Inclusive, num passeio pelas plataformas de streaming de música, as músicas mais ouvidas da banda são justamente as canções românticas, seja na voz de Cazuza ou de Frejat.
O Barão Vermelho fez um show inegavelmente bom, trazendo um repertório riquíssimo que faz parte da história da nossa música brasileira — daqueles que o público canta junto do início ao fim. E o mais legal é ver uma banda que segue conquistando ainda mais as velhas e as novas gerações.
Confira o repertório do show:
- Maior Abandonado – Cazuza / Frejat
- Pedra, Flor e Espinho – Cazuza / Frejat
- Pense e Dance – Cazuza / Frejat
- Política Voz – Cazuza / Frejat
- Tão Longe de Tudo – Cazuza / Frejat
- Bete Balanço – Cazuza / Frejat
- Ponto Fraco – Cazuza / Frejat
- Meus Bons Amigos – Cazuza / Frejat
- Tente Outra Vez – Raul Seixas / Paulo Coelho / Marcelo Motta
- O Tempo Não Para – Cazuza / Arnaldo Brandão
- Poema – Cazuza / Frejat
- Jardins da Babilônia – Cazuza / Frejat
- Blues da Piedade – Cazuza / Frejat
- Ideologia – Cazuza / Frejat
- Exagerado – Cazuza / Ezequiel Neves / Leoni
- Down em Mim – Cazuza / Frejat
- Todo Amor (com Cazuza) – Frejat / Cazuza
- Codinome Beija-Flor – Cazuza / Ezequiel Neves / Reinaldo Arias / Frejat
- Por Você – Frejat / Mauro Santa Cecília
- Amor, Meu Grande Amor – Ângela Ro Ro / Ana Terra
- Vem Quente Que Eu Estou Fervendo – Carlos Imperial / Eduardo Araújo
- Malandragem Dá um Tempo – Bezerra da Silva / Adelzon Alves
- Torre de Babel – Frejat / Dulce Quental
- Declare Guerra – Frejat / Maurício Barros
- Cuidado – Frejat / Dulce Quental
- Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto – Renato Russo
- Puro Êxtase – Frejat / Mauro Santa Cecília
- Bilhetinho Azul – Nonato Buzar / Chico Anysio
- O Poeta Está Vivo – Frejat / Dulce Quental
- Por Que a Gente é Assim? – Cazuza / Frejat
- Pro Dia Nascer Feliz – Cazuza / Frejat
