Black Alien, a lenda viva do rap nacional, celebra 54 anos com legado que atravessa gerações
Em 7 de junho de 2026, Gustavo de Almeida Ribeiro, o Black Alien, completa 54 anos consolidado como um dos artistas mais influentes e respeitados da história do hip-hop brasileiro
Em 7 de junho de 2026, Gustavo de Almeida Ribeiro, o Black Alien, completa 54 anos consolidado como um dos artistas mais influentes e respeitados da história do hip-hop brasileiro.
Nascido em São Gonçalo e criado em Niterói, o rapper construiu uma trajetória singular que mistura flow único, referências cinéfilas e letras que transitam entre a crítica social e a autobiografia mais crua. Sua passagem pelo Planet Hemp e a carreira solo redefiniram os limites do rap nacional, influenciando gerações de MCs .
Antes de se tornar o “Mr. Niterói”, Black Alien era skatista amador. A virada para a música aconteceu em 1991, quando o músico Speedfreaks (Cláudio Márcio) o ouviu rimando e o convidou para formar a banda Speed Freaks, ao lado de DJ Rodriguez .
Na época, Gustavo adotou o codinome Bulletproof. O grupo é considerado pioneiro da “nova escola” do rap brasileiro, misturando inglês e português em um ritmo descompassado que chamava atenção pela originalidade. A música “Jah Jah Overall” chegou a integrar a tracklist da edição número 82 da Revista Trip, em setembro de 2000 .
A entrada de Black Alien no Planet Hemp ocorreu em circunstâncias inusitadas. Em 1996, BNegão deixou a banda, e não havia ninguém disponível que soubesse todas as letras para substituí-lo em turnê. A solução foi convidar Gustavo, que já havia participado das gravações do álbum “Usuário” (1995), disco que renderia Disco de Ouro ao grupo .
Black Alien assumiu oficialmente os vocais ao lado de Marcelo D2 e participou dos álbuns “Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára” (1997) — que conquistou Disco de Platina — e “A Invasão do Sagaz Homem Fumaça” (2000) .
Durante esse período, paralelamente à banda, ele manteve um projeto com DJ Rodriguez chamado Black Alien, que misturava scratches com violoncelo e percussão. Quando o projeto terminou, pediu permissão ao DJ para adotar o nome definitivamente . Em 2001, decidiu deixar o Planet Hemp para focar em seus ritmos preferidos: hip hop e reggae .
A parceria com Speedfreaks foi retomada em 1999, resultando na dupla Black Alien & Speed. Juntos, se mudaram para São Paulo e gravaram o álbum “Na Face” , um dos objetos mais cobiçados (e misteriosos) do rap nacional. Embora o disco nunca tenha sido lançado oficialmente devido a divergências musicais e pessoais, as faixas que vazaram na internet são tratadas como relíquias e o projeto é frequentemente citado como “um dos melhores discos de rap já gravados no Brasil” .
Foi dessa parceria que surgiu “Quem Que Caguetou” , sucesso que ganhou remixes do pioneiro do hip-hop Afrika Bambaataa e do renomado DJ Fatboy Slim (intitulado “Follow Me, Follow Me”). A faixa alcançou projeção internacional, sendo usada em comerciais da Nissan na Europa e integrando a trilha sonora do filme Velozes & Furiosos: Operação Rio (2011) .
O primeiro álbum solo, “Babylon by Gus – Vol. 1: O Ano do Macaco” (2004, Deckdisc), é unanimidade entre os críticos. Gravado em apenas um mês, o disco referencia Bob Marley e o horóscopo chinês, entregando clássicos absolutos como “Mister Niterói” , “Como Eu Te Quero” , “From Hell do Céu” e “Coração do Meu Mundo” — esta última tema da personagem Diana Bullock (Fernanda Lima) na novela “Bang Bang” (Rede Globo) .
“O disco é uma mistura de ragga, rap e reggae tudo junto. Para mim, o reggae apareceu antes do rap, por causa da versão do Gilberto Gil para ‘No Woman No Cry’. Depois teve Jimmy Cliff, Peter Tosh, a rádio Fluminense.” — Black Alien, em entrevista sobre suas influências .
Apesar do sucesso, o público precisou esperar 11 anos pelo segundo volume. “Babylon By Gus Vol. II: No Princípio Era o Verbo” (2015) contou com participações de Céu, Luiz Melodia e Edi Rock. O hiato, segundo fontes, se explica pelos processos pessoais do artista no enfrentamento da dependência química e da depressão .
Em 2019, Black Alien lançou “Abaixo de Zero: Hello Hell” , produzido por Papatinho. O álbum é um marco em sua carreira, representando o recomeço após a superação do vício. Com influências de jazz e letras que celebram a sobriedade — como em “Aniversário de Sobriedade” —, o trabalho mostra um artista maduro e reflexivo .
“Abaixo de Zero: Hello Hell” é um elogio à sobriedade . Foi ali que Gustavo de Almeida Ribeiro se despediu da “Babilônia” em busca de novos ares, encerrando um ciclo com a faixa “Capítulo Zero” .
A versatilidade de Black Alien sempre foi sua marca. Ao longo da carreira, ele colaborou com uma gama impressionante de artistas que vão do rock ao samba, como Os Paralamas do Sucesso, Raimundos, Charlie Brown Jr. , Fernanda Abreu, Banda Black Rio, Sabotage, Seu Jorge e L7nnon .
Além do Planet Hemp, ele integrou o grupo Reggae B (com Bi Ribeiro, dos Paralamas) e o movimento Hip Hop Rio (com Marcelo D2) .
Aos 54 anos, Black Alien segue sendo uma referência inquestionável. Seu estilo único — que combina fluência em inglês, patoá jamaicano e referências intelectuais — criou uma escola dentro do rap brasileiro. Em uma época em que o gênero muitas vezes se limitava a um único tema, ele ampliou o espectro lírico, falando sobre cotidiano, cinema, amor e suas batalhas pessoais .
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Última atualização em: 8 de junho de 2026 às 22:33
Jornalista especializado na área de cultura. Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Guarulhos (UNG), já escreveu sobre música, cinema, literatura e política para Mídia Ninja, Trace Brasil, Site Mundo Negro e Leia Já.
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