Em meio à celebração do lançamento de “Fulorá”, seu novo álbum, a cantora Bruna Black, uma das vozes mais festejadas da nova geração da MPB, recebeu o site para uma conversa descontraída sobre suas influências. E o que surgiu foi um verdadeiro mapa afetivo e estético, revelando as referências que permeiam não apenas sua música, mas sua vida.
Filmes e animações
A jornada cinematográfica de Bruna começa com uma memória afetiva: “A Era do Gelo foi o primeiro filme que assisti no cinema“, revela. A relação com as telas, porém, se refinou com o tempo. Ela cita a série Insecure e Ela Quer Tudo como séries de impacto, enquanto no cinema, dois filmes se destacam: Whiplash: Em Busca da Perfeição, drama intenso sobre a obsessão pela perfeição musical, e Soul, animação da Pixar que explora de forma sensível a paixão pela vida e pela arte.

A trilha sonora de uma vida: dos clássicos às descobertas
É nos discos, no entanto, que a alma musical de Bruna Black se revela com mais clareza. Sua lista é um mergulho profundo na música brasileira de qualidade.
A transição da adolescência para a vida adulta foi pontuada por “Canções de Apartamento”, de Cícero Rosa Lins. “Esse primeiro eu escutava muito quando ia pra ETEC, meio que uma saída da adolescência pra juventude”, lembra.
O amor também tem sua trilha sonora, e o maestro é Djavan. Seu álbum “Ao Vivo” é citado como um ponto em comum com seu marido. “Djavan marca muito, é algo que eu e meu marido gostamos em comum. A gente escutava muito no início do nosso relacionamento”, compartilha.
A busca por texturas e arranjos inovadores a levou a “Índigo Borboleta Anil”, de Liniker. “Índigo é uma inspiração no que respeito a textura e arranjo”, analisa.
Atualmente, seu “xodó” é o clássico “Olho de Peixe”, de Lenine. “Tenho descoberto que gosto muito mais de Lenine do que imaginava. Principalmente quando se trata dessa parceria dele com Marcos Suzano”, explica. A admiração é tanta que ela recentemente fez um show dedicado a Lenine e Chico César.
A lista segue com “Mansa Fúria”, de Josyara, um disco que tem “o molho que eu quero para a minha vida”. A poesia e os arranjos de Josyara são apontados como uma forte identificação.
Já “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”, de Luedji Luna, oferece uma atmosfera diferente. “Luedji me traz uma atmosfera que não é de minha característica, ela é uma referência de som e da poesia que quero aprender a fazer”, confessa.
Esta coleção eclética, porém coesa, de influências ajuda a entender as camadas de som e sentimento que Bruna Black tece em “Fulorá”, mostrando uma artista que honra a tradição da boa música brasileira enquanto constrói seu próprio caminho, com ouvidos atentos ao passado, ao presente e às texturas do futuro.
Fechando com o lendário Itamar Assumpção e seu “Isso vai dar repercussão”: Esse disco do Itamar me marcou muito, pois foi tema do meu TCC da Etec. Eu amo muito as linhas de baixo e como as canções trazem reflexões profundas. Uma musicalidade ÚNICA”, conclui..
