A Black Pantera se apresentou no Palco Quebrada no mesmo horário em que o show da Bad Religion acontecia no palco Skyline. Isso certamente afetou a quantidade de pessoas que os prestigiaram, já que há uma intersecção importante, entre o público do festival, para as duas bandas. Contudo a qualidade dos centenas de selecionados que acompanharam a apresentação foi privilegiada. O público e banda interagiram constantemente e a Black Pantera entregou, como sempre, mais do que um excelente show, um ato de resistência do rock nacional, que como dito por Charles Gama, guitarrista e vocalista – quem fala que o rock nacional acabou, não está entendendo nada.
Público e artistas estavam completamente sintonizados e a mensagem política da banda antirracista, que é sempre muito presente, foi entoada quando Charles lembrou ao microfone que estávamos no dia 07 de setembro, dia da independência do Brasil – e o público de imediato respondeu em coro “SEM ANISTIA, SEM ANISTIA”, que é título de uma das músicas da banda. Chaene da Gama, baixista e vocalista, nesse momento colocou sobre seus dreadlocks um boné azul com a frase “O Brasil é dos brasileiros”, e lembrou – Brasil soberano. Festa da democracia. Pouquíssimas ideias.

Não faltou nenhum de seus hits estabelecidíssimos “PADRÃO É O CARALHO”, “PERPÉTUO” e “FOGO NOS RACISTAS”, nesta última Charles conduz com o público, como sempre, tem uma interação ritualística em que cantam além de fogo nos racistas, também nos machistas, nos fascistas e até pros trumpistas sobrou, tudo isso acompanhado de um pogo pesado. Lá tinha crianças, mulheres mais velhas, senhores, tudo era muito intenso e com muito respeito.
Chaene introduziu a música “TRADUÇÃO”, composta em homenagem a mãe dos irmãos Gama, conduzindo no baixo e em sua voz melódica uma versão breve de “Mama, I’m Coming Home”, canção do saudoso Ozzy Osbourne. A homenagem ao Príncipe das Trevas encaixou perfeitamente e contou com as luzes de isqueiros e celulares, além da empolgação do público.
Não faltou o momento em que a banda dedica uma música para a “roda das meninas”, em que somente as mulheres são convidadas a girar e bater cabeça no centro. E eu nunca vi tantas mulheres em uma roda antes!
Ao contrário das outras grandes bandas de rock nacionais que se apresentaram no mesmo dia, a Black Pantera fez uma apresentação que não se alicerçou no fator nostalgia, mas no grande momento atual e crescente que a banda vive, mostrando que o rock nacional ainda pulsa forte, tem alma e tem cor. E claro, rock não é só entretenimento, é também posicionamento político.
