Foi um erro colocar Priscilla no segundo maior palco do The Town? Bom, se for jular por apelo prévio de público, sim, mas se for usar como critério a vontade de fazer bonito e o talento, não. A cantora usou influências gospel R&B, soul e pop, tocou suas músicas virais , chamou participações especiais de peso, covers icônicos e um coral impressionante.
A apresentação começou com um prelúdio conceitual: um vídeo que mesclava imagens da artista com uma bíblia sobre um púlpito, uma alusão inteligente às suas raízes gospel e à devoção que transpõe para a música. E dessa nave mãe, desceu Priscilla para comandar o culto. Com um repertório focado em sua fase atual de pop soulful, hits como “Correntes”, “Não vai Parar” e “Boyzinho” ecoaram na voz poderosa da artista.
O auge do show aconteceu quando a Fat Family subiu ao palco para uma explosão de nostalgia e fôlego com “Jeito Sexy”. Ciente que apesar da ascensão musical, ainda não possui repertório para segurar um show sozinha num grande festival Mseu repertório afiado veio com versões muito bem arranjadas de Tim Maia com “Ela Partiu”, “Uptown Funk” (Bruno Mars/Mark Ronson), “Survivor” (Destiny’s Child) e breves citações musicais a Jackson 5 (“ABC”) e Rihanna (“Don’t Stop the Music”).
A curadoria foi além da música. Ao homenagear Tim Maia, Priscilla exibiu um trecho de uma entrevista do ícone, onde ele, com sua ironia característica, alerta: “vão sofrer” se seguirem a carreira musical.
Luccas Carlos subiu ao palco para firmar a parceria em “Sem Ninguém” e embalar o público com “Músicas de amor nunca mais” e “Djavan”. Mais tarde, Paulo Zuckini se juntou a ela para uma performance de “Sobrevivi”, sua parceria com Glória Groove.
Do primeiro ao último minuto, a base de tudo foi o coral Ghetto Heart Choir, que foi o coração do espetáculo.
Priscilla ainda não é uma das grandes do pop brasileiro, mas está entre as mais talentosas promessas.
