Uma banda que reverencia o congado, a ancestralidade, e traz o conceito de afrofuturismo como base. Assim é a Congadar, de Minas Gerais, que lança o terceiro álbum, “Aprendi com meus Antepassados”.
Como o próprio título sugere, o trabalho tem como fio condutor a importância dos antepassados, o olhar para as nossas raízes. “Quem veio antes de nós tem um papel importantíssimo, pois através deles que a cultura foi ensinada de geração para geração, principalmente quando falamos raízes negras e do conhecimento passado através da oralidade” – comentou o baixista Marcos Avellar.
Assim, os integrantes da banda compuseram sete músicas inspiradas no que o passado nos ensina: “Dá licença”, “Semente Raiz”, “Fundido Chão”, “Legado Orum”, “Dança pra Oyá”, “Risca Ponto” e “Senhor Xaxará”. “Falamos sobre orixás, representação da cultura preta, em algumas letras, mas falando também da condição social que vivemos hoje. Queremos pautar uma sociedade melhor e entendemos os orixás como figuras que dão um norte” – apontou.
Além das inéditas, há três releituras. Uma delas de “Promessa ao Gantois”, da banda Os Tincoãs, com participação da cantora Teresa Cristina. Ela assistiu um show da Congadar num festival, adorou e sugeriu de gravarem um single juntos. Eles escolheram essa canção por ser uma referência para qualquer pessoa que trabalha com música afro, pois mergulha na cultura do Candomblé.
A Congadar também fez uma nova versão para “Preparado da Vovó” (Jovelina Pérola Negra, Binho Maia e Dom Tatão), conhecida na voz da própria Jovelina, cuja letra remete às entidades conhecidas como “pretos-velhos” na Umbanda e também para “Oxalá” (Berimbau e Ildázio Tavares), gravada por Eloah no álbum “Os Orixás”, lançado em vinil recentemente pelo selo Rocinante.
“Aprendi com meus Antepassados” é o primeiro álbum gravado por eles com todos os integrantes tocando ao vivo no estúdio e isso fez uma grande diferença pois o Congadar é uma banda que tem muita força nos tambores, principalmente pela forma como as caixas são tocadas, e na soma deles com os outros instrumentos. Isso foi possível ser feito no estúdio ForrstLab, que tem essa especialidade e ainda grava em fita de rolo, como antigamente.
