A rapper Cris SNJ, uma das vozes mais emblemáticas do hip hop brasileiro, acaba de lançar o EP “Cultura de Preto”, obra que marca seus 25 anos de trajetória e se consolida como um manifesto pela cultura negra e empoderamento feminino. O projeto, disponível em todas as plataformas digitais, reúne cinco faixas inéditas que transitam entre o rap, samba e G-Funk, tecendo uma narrativa de resistência ancestral através da arte.
O trabalho abre com “Herança Ancestral”, introdução poética que invoca as forças de Ogum e Oxalá em versos que estabelecem a conexão entre espiritualidade e luta política. “Venho de longe, sou terra e sou pó, feita no fogo, em coragem e suor”, recita Cris em tom ritualístico, preparando o terreno para as demais composições.
Entre os destaques do EP está “Instinto Pantera”, faixa que ganha videoclipe em homenagem ao Dia da Consciência Negra. Produzida por Vibox e com participação da rapper e poetisa Poeta Desperta, a música sintetiza a essência do projeto como denúncia social e afirmação do poder feminino negro.
“Tenho amor pelo rap, mas foi com o coração cheio de ódio que escrevi esse som, foi a forma que encontrei de canalizar esse sentimento”, revela Cris sobre o processo criativo. A música foi composta durante um período intenso em que a artista ainda conciliava trabalhos como trancista e faxineira com sua carreira musical.
A letra de “Instinto Pantera” reverencia figuras históricas como Lélia González e Dandara dos Palmares, e apresenta a frase emblemática: “Não sou branca e não vendo, não sou comercial”. A batida em G-Funk – subgênero popularizado nos anos 1990 por Dr. Dre, Snoop Dogg e Warren G. – conecta a sonoridade das ruas à consciência política transformadora.
