Nasce de uma cabana em Alter do Chão, no Pará, o Delírio Cabana, quarteto manaura que lança seu EP de estreia homônimo em 17 de outubro, trazendo para a cena musical contemporânea a herança sonora da Amazônia com refinamento de arranjo e diversidade de influências. Formado por Bruno Mattos, Gabriella Dias, Luli Braga e Nando Montenegro, o grupo apresenta seis faixas autorais que nasceram de duas semanas de convívio e criação no verão de 2023.
De acordo com Luli Braga, o EP recebe o nome da banda porque “reflete memórias e emoções que viemos acessando desde o nosso encontro”. “Falam de saudade, desejo e liberdade, na perspectiva de quatro amigos migrantes que carregam lembranças dos rios e temperos de casa”, explica.
A história do grupo começou quando os quatro músicos viajaram de Manaus até Alter do Chão e, hospedados numa cabana, mergulharam em um processo criativo que deu origem ao projeto. Cada integrante traz uma bagagem singular: Luli Braga e Gabriella Dias são cantoras e compositoras manauaras; Nando Montenegro, também de Manaus, hoje radicado em Belém, é produtor musical; e Bruno Mattos, multi-instrumentista manauara residente em São Paulo, assina os arranjos.
O EP abre com “Tempero”, single que sintetiza a proposta do grupo ao mesclar células rítmicas da música tradicional amazônica com camadas da MPB contemporânea, pop e música latina. A sequência traz “Ânima”, que explora o trocadilho entre o arquétipo feminino de Jung e o verbo animar, em uma abordagem brega-pop sobre identidade e entrega.
“Guaraná” transporta o ouvinte para as noites de beira de rio em ritmo de carimbó, enquanto “Gengibirra” revisita o bolero-brega com letra sobre superação de relacionamentos abusivos. “Quando Você Vier (Tucumã)” canta a saudade em xote, e “Chove Não Molha” encerra o trabalho com referência ao chorinho que acontece todas as sextas-feiras no Lanche da Dona Glória, em Alter do Chão.
A produção musical é assinada por Lucas Cajuhy e Bruno Mattos, com participações de instrumentistas como Tércio Macambira (percussão) e Danilson Sampaio (sanfona). O trabalho visual, dirigido por Bruno Belch, conta com styling de Hendryl Nogueira e figurinos da marca Yanciã Amazônia, que valoriza artesãos e matérias-primas regionais.
O Delírio Cabana se insere na linhagem de artistas que, como Carrapicho nos anos 1990, levam a cultura amazônica para além das fronteiras regionais, mas com uma abordagem que dialoga com a produção musical contemporânea. Com shows já realizados em Parintins, Alter do Chão, Manaus e São Paulo, o grupo consolida sua entrada no mercado fonográfico reafirmando “o lugar do Amazonas no território cultural brasileiro contemporâneo”.
