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 Fresno lança ‘Carta de Adeus’, 11⁰ disco de inéditas e segue sendo o maior expoente do emo no Brasil

 Fresno lança ‘Carta de Adeus’, 11⁰ disco de inéditas e segue sendo o maior expoente do emo no Brasil

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Fresno escreve um novo capítulo em sua trajetória, iniciada em 1999. O trio gaúcho está de volta com Carta de Adeus’, que traz dez faixas inéditas e uma canção bônus exclusiva para o disco no formato físco.


Após a turnê de “Eu Nunca Fui Embora”, que percorreu o país reafirmando a força da Fresno ao vivo, Lucas Silveira, Vavo e Guerra apresentam um trabalho guiado pelo tátil, analógico e orgânico, com um disco que não faz atalhos para se aproximar cada vez mais do essencial.


Produzido por Lucas Silveira, que vem produzindo os discos da banda desde sua saída da Universal em 2012, ‘Carta de Adeus’ parte de um princípio direto e quase radical: permitir que os instrumentos soem como são. Guitarras que soam como guitarras, baterias que respiram como baterias e vozes que ocupam seu espaço sem camadas excessivas. Diferentemente de trabalhos recentes da banda, o álbum reduz a presença de ferramentas digitais e se ancora em uma sonoridade orgânica, conduzida por escolhas que revelam o desejo de trazer mais calor para o fonograma, aproximando da gravação a energia de suas apresentações ao vivo.


A consolidação da sonoridade de ‘Carta de Adeus’ não nasceu do vazio, muito pelo contrário, foi amadurecendo ao longo do processo de composição do álbum.

 Fresno lança ‘Carta de Adeus’, 11⁰ disco de inéditas e segue sendo o maior expoente do emo no Brasil
 Foto: Camila Cornelsen


Com referências musicais que brindam a gênese do rock de linguagem brasileira, a criação do disco incorporou em seu setup equipamentos analógicos da década de 80, como câmaras de eco e unidades de chorus, que pouco a pouco foram tingindo as músicas com novas texturas enquanto eram compostas. Não se tratava de reproduzir uma estética, mas de permitir que essas ferramentas moldassem naturalmente a identidade sonora do álbum. As canções começaram a ganhar cor.

É nesse processo que se revela uma das singularidades mais interessantes de ‘Carta de Adeus’: uma linguagem musical contemporânea, marcada pela identidade do emocore brasileiro que a Fresno ajudou a consolidar, sintetizada em timbres e atmosferas que remetem ao som que seus integrantes cresceram ouvindo.





Terceira faixa do álbum, “Tentar De Novo e De Novo” retrata a perfeita síntese entre as referências etéreas da new wave dos anos 80 e a sonoridade característica da banda. Com uma melodia sensível no início da canção, conduzida por um baixo que sublinha os versos, ela chega em seu clímax em versos como “eu peço perdão para mim mesmo/ por esquecer quem eu era antes de conhecer você/ eu vou viver pra ver”. De forma intensa, a letra traz a força da resiliência que tanto resume as quase três décadas de história da banda.


A faixa-título “Carta de Adeus (BYE BYE TCHAU)” também explora esta síntese com mais profundidade. Ao incorporar levadas rítmicas pouco usuais dentro do emo, ela sustenta guitarras limpas em momentos tradicionalmente explosivos e explora registros vocais mais graves, deslocando expectativas sem romper com sua base dramática. Por fim, a catarse ainda está presente, mas chega por outros caminhos, que não fogem da identidade que consolidou o grupo.


A quinta faixa do álbum marca um fato inédito na história da banda. Pela primeira vez, a Fresno inclui em um álbum de estúdio um cover: “Pessoa”, composição eternizada na voz de Marina Lima. A ideia foi concebida a partir das pesquisas musicais de Lucas Silveira sobre os anos 80, que fez o artista se encantar por Dalto, co-autor da canção junto de Cláudio Rabello. Inserida no contexto do disco, a faixa amplia o campo conceitual do trabalho ao trazer temas como identidade e pertencimento. Ao reinterpretá-la, a banda não apenas presta homenagem, mas incorpora a canção ao seu próprio universo, diluindo as fronteiras entre eles e a própria natureza temporal da canção.


Apesar do nome, ‘Carta de Adeus’, não sugere um encerramento. Pelo contrário, nele a Fresno constrói um percurso que aponta para a maturidade e expansão. O disco se torna, portanto, uma forma de compreender o mundo da maneira mais crua possível que ele possa parecer.




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Última atualização em: 27 de abril de 2026 às 14:49

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