Há três décadas, em outubro de 1995, o Oasis lançava “(What’s the Story) Morning Glory?”, seu segundo álbum de estúdio. Mais do que um simples disco, o trabalho foi um fenômeno cultural que catapultou o britpop para o mundo e definiu a voz de uma geração. Com vendas superiores a 22 milhões de cópias globais, o álbum se tornou uma das obras mais emblemáticas dos anos 1990, abrigando hinos inabaláveis como “Wonderwall”, “Don’t Look Back In Anger” e a épica “Champagne Supernova”.
O disco não apenas consolidou o Oasis como uma das bandas de rock mais importantes e emblemáticas da década, mas também transformou os irmãos Liam e Noel Gallagher em ícones globais – um símbolo de atitude, talento e uma rivalidade fraternal que tanto alimentou a mitologia do grupo quanto, anos mais tarde, levaria ao seu fim. Eles verdadeiramente encarnaram a aura de astros do rock.
Com a explosão de “(What’s the Story) Morning Glory?”, o Oasis fez os maiores shows da carreira, em Knebworth, na Inglaterra. 125 mil pessoas em cada dia estiveram presentes para o culto rock´n Roll. A procura por ingressos chegou a 2 milhões e 600 mil pessoas.
Antes de chegar ao incensado álbum, os garotos de Manchester tinham lançado “Definitely Maybe” (1994), um petardo que colocava a Inglaterra no jogo após a avalanche grunge liderada pelo Nirvana, ainda que não chegasse com força ao público estadunidense. Outro grupo britânico disputava com os Gallagher o protagonismo do rock inglês e haviam ganhado a batalha do britipop quando “Country House” vendeu 50 mil cópias a mais que “Roll With It” do Oasis, tornando-se o símbolo de uma rivalidade que dividiu o Reino Unido.
No entanto, enquanto o Blur consolidava seu apelo local, o Oasis ganhou o mundo com “(What’s the Story) Morning Glory?”, vendendo o dobro de “The Great Escape” dos rivais no Reino Unido conquistando os Estados Unidos, alcançando o 4º lugar na Billboard vendendo 3,5 milhões de cópias, coisa muito rara para bandas surgidas na terra da Rainha.
Sai a urgência de “Definitely Maybe” e entra as ambições e o auge do talento melódico de Noel Gallagher, principal compositor do grupo. “Champagne Supernova” é uma das melhores canções do grupo e trazia Liam no máximo de sua voz rascante, uma mistura de John Lennon e Johnny Rotten, só que mais potente.
Enquanto faixas menos conhecidas fizeram seu papel de manter a qualidade do álbum nos eixos, o Oasis emplacou dois dos maiores hinos da década de 1990. “Wonderwall” e “Don’t Look Back in Anger” traduziram parte do som de uma geração, ajudando a angariar milhões de fãs ao redor do mundo que até hoje cantam as canções a pleno pulmão cada vez que o DJ em festival sabe o que fazer para animar uma multidão.
Não é que havia ousadia no som do Oasis, mas havia uma energia e ambição sempre presentes no carisma dos dois líderes da banda, traduzidos também nas construções melódicas de Noel.
Se Damon Albarn, o vocalista do Blur mostrou sempre inquietação criativa e buscou outras camadas sonoras em sua carreira, o Oasis se apegou à fórmula vencedora, e ainda que depois não tenham caído mais no colo a da crítica, seguiram arregimentando uma base de fãs que se comporta de forma fidelíssima.
O Retorno dos Gallagher: A Reunião que Nunca Acontece (Mas que Todos Aguardam)

Apesar da separação em 2009, a chama do Oasis nunca se apagou, mantida viva pela devoção inabalável de seus fãs e pelas performances solos de Liam e Noel, que continuam a executar os clássicos da banda em seus próprios projetos. Recentemente, a comoção em torno do grupo atingiu novos patamares.
No final de 2024, os irmãos Gallagher voltaram a compartilhar os holofotes – ainda que não no mesmo palco – em uma série de apresentações que reacenderam o clamor público por uma reunião. Liam, com sua banda, e Noel, com os High Flying Birds, têm incluído setlists generosos de Oasis em suas turnês, demonstrando o poder duradouro do repertório. Cada aparição, cada nota de “Live Forever” ou “Supersonic” é recebida com uma enxurrada de emoção, coros cantados em unísono por milhares de fãs, e um sentimento palpável de nostalgia que transcende gerações.
A Adoração que Nunca Arrefeceu
A relação dos fãs com o Oasis é única, quase religiosa. Trinta anos depois, as músicas de “Morning Glory” não são apenas lembradas; elas são vividas. “Wonderwall” permanece um padrão universal nas rodas de violão, “Don’t Look Back In Anger” se tornou um hino de resistência e união, e “Champagne Supernova” uma jornada sonora atemporal.
Esse legado é testemunhado nas constantes campanhas nas redes sociais, na venda instantânea de qualquer ingresso relacionado aos Gallagher e no fato de que, mesmo após todos esses anos, qualquer sussurro de uma possível reconciliação entre os irmãos é capaz de dominar as manchetes internacionais. O Oasis encapsulou um espírito de liberdade e crueza poética que continua a ressoar, provando que, para milhões ao redor do globo, a história deles está longe de ter um fim.
